Diretora da Revista Cenarium afirma que cobertura ambiental precisa deixar de ser nicho e ganhar centralidade no jornalismo contemporâneo

Manaus — A jornalista Paula Litaiff, diretora da Revista Cenarium, foi um dos principais destaques do V Congresso de Jornalismo da Amazônia ao defender que o jornalismo ambiental deve ser incorporado de forma estruturante às redações, e não tratado como uma editoria isolada.
O evento, realizado entre os dias 22 e 24 de abril em Manaus, reuniu profissionais, pesquisadores e estudantes para discutir os desafios da cobertura ambiental em um cenário de agravamento das crises climáticas e aumento da complexidade dos dados científicos.
Durante painel dedicado ao tema, Paula Litaiff destacou que compreender questões ambientais deixou de ser um diferencial e passou a ser uma exigência para o exercício do jornalismo. Segundo ela, a cobertura qualificada é fundamental para a formação de opinião pública e para o embasamento de decisões políticas.
“O jornalismo ambiental não PODE mais ser visto como um nicho. Ele precisa estar presente em todas as áreas da cobertura”, afirmou.
A discussão também abordou o uso crescente de dados e tecnologias na produção jornalística. Ferramentas como monitoramento por satélite, sistemas de alerta de desastres e plataformas de visualização de dados foram apontadas como essenciais para ampliar a precisão e a profundidade das reportagens.
No mesmo painel, o meteorologista Renato Cruz Senna alertou para os riscos de interpretações equivocadas de informações científicas. Ele ressaltou que o jornalista desempenha um papel estratégico na mediação entre ciência e sociedade, exigindo rigor técnico e responsabilidade editorial.
Já a jornalista Jullie Pereira, da InfoAmazonia, enfatizou que o uso de dados fortalece a apuração e amplia a capacidade de compreensão sobre a complexidade da Amazônia, especialmente em temas como desmatamento e mudanças climáticas.
O congresso ocorre em um contexto de crescente relevância do jornalismo ambiental no cenário global, impulsionado por debates sobre clima, biodiversidade e sustentabilidade. A programação também incluiu discussões sobre inteligência artificial, desinformação e cobertura em territórios indígenas, refletindo os múltiplos desafios enfrentados pela imprensa na região.
Ao reunir universidades, veículos de comunicação e especialistas, o evento buscou aproximar a formação acadêmica das demandas do mercado. Para os organizadores, o objetivo é preparar profissionais capazes de lidar com a complexidade amazônica — onde ciência, política e território se entrelaçam.
A centralidade da fala de Paula Litaiff sintetiza o momento atual da profissão: diante de um dos maiores desafios globais do século, o jornalismo ambiental deixa de ser periférico e passa a ocupar posição estratégica no debate público.

