Com o tema “Práticas Educacionais Inovadoras e Humanizadas no Contexto Amazônico”, premiação reconhece iniciativas da capital e do interior e anuncia lançamento de e-book pedagógico

FOTO: Eduardo Cavalcante – Secretaria de educação e Marcio James
Em um dia de celebração, a Secretaria de Estado de educação e Desporto Escolar realizou, na quinta-feira (12/02), a 2ª edição do prêmio “Educadores que Transformam”, reconhecendo 32 professores da REDE estadual de ensino que desenvolveram práticas pedagógicas inovadoras e humanizadas no ano letivo de 2025. Com o tema “Práticas Educacionais Inovadoras e Humanizadas no Contexto Amazônico”, a premiação contemplou 16 educadores da capital e 16 de municípios do interior.
“Hoje é uma noite feliz, de reconhecimento, de valorização, de conhecimento de práticas que mudam a vida dos estudantes. A educação é o principal motor de transformação social que temos na sociedade, e ver esse engajamento, essas iniciativas, é muito gratificante, porque vocês efetivamente mudaram a vida desses alunos”, ressaltou a secretária de educação, Arlete Mendonça.
O edital da segunda edição foi lançado em novembro de 2025, e os próprios professores submeteram seus projetos, que foram avaliados por uma comissão formada por profissionais da educação de diferentes setores da Secretaria. Os critérios considerados foram: desenvolvimento de projetos alinhados às necessidades da escola e da comunidade; melhoria de indicadores educacionais; inovação e criatividade nas práticas pedagógicas; e inclusão, valorização cultural e Cidadania.
Para cada critério foram atribuídas notas de zero a dez, sendo classificados os projetos que obtiveram nota superior a sete e premiados os 32 com maiores pontuações.
A premiação foi dividida nas categorias ensino fundamental I (1º ao 5º ano), ensino fundamental II (6º ao 9º ano), ensino médio, educação de jovens e adultos, educação especial e Inovação em Gestão Escolar. No interior, também foram contempladas as categorias educação Escolar Indígena e educação do Campo.


Os professores homenageados são de escolas localizadas em Manaus, Atalaia do Norte, Careiro da Várzea, Nova Olinda do Norte, Itacoatiara, Humaitá, Parintins, Maués, Tefé, Carauari, Juruá e Presidente Figueiredo.
Assim como na edição anterior, os 32 educadores passam a integrar a Galeria de Honra exposta no hall da sede da Secretaria de educação, com um quadro coletivo que eterniza os projetos desenvolvidos. A lista completa dos vencedores e seus respectivos projetos PODE ser visualizada aqui: https://bit.ly/Projetos_Educadores_Que_Transformam.
Cultura indígena e identidade amazônica
Na escola Estadual de Tempo Integral Cônego Azevedo, localizada no bairro da Aparecida, zona sul de Manaus, a professora Araceli Nascimento transformou a educação física em um espaço de valorização da cultura indígena para receber o prêmio do Educadores que Transformam.

FOTO: Eduardo Cavalcante – Secretaria de educação e Marcio James
projeto, que já caminha para a quarta edição da feira escolar, trabalha com os estudantes temas como costumes, vestimentas, brincadeiras, músicas, instrumentos e personalidades indígenas, articulando movimento e identidade amazônica.
“O projeto nasceu do desejo de levar para as crianças uma iniciativa de educação física amazônica. Vivemos em solo indígena, e muitas vezes não nos reconhecemos nesse contexto. Então, a feira mostra o quanto a cultura indígena está no nosso dia a dia. Como faz parte da nossa construção. Estou muito feliz com esse prêmio!”, compartilhou a professora, vencedora na categoria ensino fundamental I – Anos Iniciais.
Tecnologia como ferramenta de inclusão na alfabetização
Na escola Estadual Aderson de Menezes, a professora Samia Barros utilizou o aplicativo educativo gratuito Gcompris como ferramenta de intervenção na alfabetização de um aluno autista do 1º ano do ensino fundamental. Diante das dificuldades motoras que impediam o estudante de utilizar lápis e papel, a tecnologia tornou-se uma ponte para o letramento.

FOTO: Eduardo Cavalcante – Secretaria de educação e Marcio James
Com atividades voltadas ao reconhecimento de letras, sons, palavras e conceitos matemáticos iniciais, o aplicativo possibilitou avanços significativos no processo de alfabetização, reforçando o papel da inovação pedagógica na promoção da inclusão.
“Este estudo de caso foi meu tema de doutorado. Isso mostra como as novas tecnologias podem ser benéficas para os estudantes. Como elas podem ser uma ferramenta de inclusão, de aprendizado. Fico feliz de ter contribuído com esse estudante, e de ter meu trabalho reconhecido”, destacou Samia.
Incentivo ao ensino superior transforma realidade ribeirinha
No município do Careiro da Várzea, na comunidade ribeirinha Santa Luzia, a cerca de 5 horas de barco de Manaus, o professor Orlando Zanes coordena uma mobilização permanente para incentivar estudantes da escola Estadual Alberto Santos Migueis a participarem de vestibulares.

FOTO: Eduardo Cavalcante – Secretaria de educação e Marcio James
O projeto envolve orientação sobre inscrições, debates sobre a importância do ensino superior e articulação de apoio logístico para que os alunos possam se deslocar até Manaus para realizar as provas, inclusive em períodos de seca severa. Os resultados refletem o impacto da iniciativa: a escola saiu de nenhuma aprovação em 2021 e 2022 para 53 aprovações entre 2024 e 2025, em processos como PSC, Enem, UEA, IFAM e bolsas em instituições privadas.
“É uma alegria ver esses resultados. Sabemos que o ensino Superior é algo que muda a vida das pessoas, e ter esse sentimento de que pude contribuir na vida de cada um, é uma sensação de dever cumprido”, destacou o professor, vencedor na categoria educação do Campo.
Aula no seringal conecta juventude à história do Amazonas
No município de Juruá, o professor Raimundo Nonato, da escola Estadual Romerito, percebeu que muitos estudantes da 1ª série do ensino médio desconheciam o impacto do Ciclo da Borracha na formação econômica e social do Amazonas. A partir disso, organizou uma expedição a uma área de seringal, promovendo uma aula in loco sobre o período histórico.

FOTO: Eduardo Cavalcante – Secretaria de educação e Marcio James
A experiência incluiu a observação da extração do látex e debates sobre as transformações ocorridas entre os séculos XIX e XX, fortalecendo o vínculo entre teoria e prática.
“O ciclo da borracha é um período muito importante da nossa história, e notei a oportunidade de transformar os estudos em um momento marcante para eles. E foi! Eles estavam muito empolgados e o conteúdo foi fixado. Fico feliz de ter tido essa percepção, e de ter recebido reconhecimento por isso”, afirmou o docente, vencedor na categoria ensino médio Regular.
E-book amplia alcance das práticas transformadoras
Durante a solenidade, também foi anunciado o lançamento do e-book “Relatos de Experiência – Práticas que Transformam”, inspirado nas atividades pedagógicas desenvolvidas pelos profissionais homenageados na primeira edição do prêmio. O material será disponibilizado no próximo dia 02 de março, no site e nas redes sociais da Secretaria de educação.
A proposta é que a publicação se torne anual, reunindo experiências exitosas e ampliando o reconhecimento, a autoestima e a valorização do trabalho docente em todo o estado.

