Durante a 2ª Assembleia Geral Ordinária de 2026, do Conselho Municipal de saúde (CMS/Manaus), promovida nesta quarta-feira, 25/2, houve a apresentação do cenário epidemiológico das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), HIV/Aids e Hepatites Virais no município de Manaus. Realizada por técnicos da Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de saúde (Semsa), no auditório do Complexo de saúde Oeste, bairro da Paz, zona Oeste, a apresentação foi direcionada para conselheiros municipais de saúde representantes dos segmentos de gestores, trabalhadores e usuários do Sistema Único de saúde (SUS).
De acordo com o presidente do CMS/Manaus, conselheiro Hellyngton Monteiro de Moura, a apresentação foi solicitada pela Comissão de Doenças Sexualmente Transmissíveis, HIV/AIDS, Hepatites Virais e Tuberculose, que integra a estrutura do Conselho Municipal de saúde.
“A apresentação é uma forma de oferecer aos conselheiros um panorama geral das ISTs em Manaus e esclarecer sobre os serviços disponíveis para a prevenção e controle na REDE municipal de saúde. Com mais informações, Podemos atuar melhor na divulgação dos serviços junto aos usuários do SUS e contribuir para a prevenção”, afirmou Hellyngton Moura.
Conduzindo a apresentação, a enfermeira Ylara Costa, técnica do Núcleo de Controle de HIV/Aids, IST e Hepatites Virais (NUCIST/Semsa), informou sobre as ISTs com maior incidência em Manaus e de maior impacto social, como o HIV/Aids, em que o preconceito e discriminação ainda impactam negativamente na adesão ao tratamento e no controle da doença.
No ano passado, Manaus registrou 1.528 casos novos de HIV; 3.368 de sífilis adquirida em adultos (exceto gestantes), 2.344 de sífilis em gestantes e 361 de sífilis congênita, que ocorre quando a gestante transmite a infecção para o bebê na gestação; além de 513 casos de hepatites virais.
Na apresentação, Ylara Costa alertou para as taxas de detecção de novos casos de HIV, de detecção de casos novos de Aids e do número de óbitos pela doença em Manaus, considerando que a infecção ainda não tem cura.
A enfermeira apontou que uma metas da Semsa para os próximos anos é reforçar as ações de educação em saúde na prevenção e também no combate ao preconceito, principalmente em relação às pessoas vivendo com HIV/Aids.
“Por causa do preconceito, o usuário do serviço muitas vezes não tem apoio da família, não tem tranquilidade para revelar que tem a infecção. Com isso, ele não procura o atendimento ou interrompe o tratamento por medo que descubram na sua comunidade e no território em que vive. E sem o tratamento adequado, a infecção PODE avançar para a Aids e o óbito do paciente”, esclarece a enfermeira.
Entre as ações executadas pela Semsa, a apresentação mostrou avanços no estabelecimento de estratégias para fortalecer o acesso aos serviços e reduzir barreiras no atendimento, ampliando os serviços direcionados na prevenção, diagnóstico e tratamento das ISTs.
“Houve a ampliação no número de Unidades de saúde que realizam o manejo de pessoas vivendo com HIV/Aids na REDE municipal e as que ofertam Profilaxia Pré e Pós-Exposição (PrEP e PEP) para a prevenção ao HIV/Aids. Todas as Unidades de saúde já realizam o manejo clínico de outras ISTs, com diagnóstico, tratamento e encaminhamento quando é necessário. Também estamos trabalhando para a implementação do manejo clínico das Hepatites Virais na REDE municipal”, informou Ylara Costa.
O coordenador da Comissão de DTS/HIV/AIDS/HV e Tuberculose do CMS/Manaus, conselheiro João Marcos Dutra Batista, explicou que, considerando os dados epidemiológicos da capital amazonense, a divulgação e disseminação das informações é crucial para construir estratégias em resposta às ISTs e doenças determinadas socialmente, como HIV/AIDS, Hepatites Virais e a Tuberculose.
“Os conselheiros podem colaborar na construção de estratégia para prevenção, até mesmo por que, como vemos no cenário epidemiológico, as pessoas em vulnerabilidade social são as que mais são vulneráveis ao HIV/AIDS e outras ISTs. Além disso, a sociedade civil é quem tem a vivência das comunidades e acesso a lugares em que a saúde e outras políticas sociais e públicas não chegam, e por isso a construção coletiva é fundamental”, afirmou o conselheiro, que é representante do segmento dos usuários e da Casa Miga acolhimento LGBT.
A conselheira Marinélia Ferreira, representante do segmento de gestores, ressaltou que a apresentação realizada na Assembleia Ordinária é uma das etapas do processo de elaboração do Plano de trabalho 2026 da Comissão de DTS/HIV/AIDS/HV e Tuberculose do CMS/Manaus.
“O planejamento envolve levar mais informações para os conselheiros para que possam colaborar com as ações de prevenção nos seus territórios de atuação, inclusive envolvendo os conselheiros locais que atuam junto às Unidades de saúde, ampliando para a comunidade em geral. O conhecimento leva diretamente à prevenção, que ainda é a melhor estratégia que existe no combate às ISTs”, afirmou Marinélia Ferreira.
—- —- —– Texto – Eurivânia Galúcio / SemsaFotos – Divulgação / Semsa

