Sejusc promove oficinas e ações em Manaus e interior do Amazonas para alertar sobre nova modalidade do crime que obriga vítimas a aplicar golpes financeiros.
A Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) realiza, neste mês de julho, uma programação no Amazonas para prevenir o tráfico humano que força vítimas a aplicar golpes e fraudes financeiras. As atividades ocorrem em Manaus e nos municípios de Tabatinga, Manacapuru e Presidente Figueiredo e incluem oficinas, treinamentos práticos e ações de sensibilização em locais públicos como a rodoviária e o porto de Manaus.
Programação e público-alvo
A iniciativa prevê treinamentos práticos voltados à prevenção, identificação, atendimento e encaminhamento de casos de tráfico de pessoas. Conforme a secretaria, a expectativa é alcançar gestores públicos, lideranças comunitárias e demais atores da rede de proteção, que atuarão como multiplicadores nas regiões atendidas.
A secretária da Sejusc, Jussara Pedrosa, disse que a equipe levará informações sobre riscos, formas de prevenção e canais de denúncia ao público de pontos de transporte na capital.
“A comunidade internacional está chamando atenção sobre esta nova modalidade que utiliza as vítimas para fazer outras vítimas de extorsão e golpes financeiros. É uma triste tendência criminosa e o Amazonas está atento a essa questão ativando toda a nossa rede de proteção e prevenção”, afirmou Jussara Pedrosa.
Como funciona a nova modalidade, segundo a ONU
De acordo com a ONU, traficantes costumam recrutar vítimas por meio de anúncios de emprego falsos que prometem oportunidades no exterior. Acreditando em um trabalho legítimo, as pessoas viajam e acabam confinadas em complexos fraudulentos no exterior.
Dentro desses locais, as vítimas são forçadas a cometer fraudes cibernéticas, incluindo golpes românticos e esquemas com criptomoedas. Ainda segundo a ONU, elas ficam sob vigilância constante e podem ser submetidas a violência, ameaças, servidão por dívida e cotas de trabalho obrigatórias.
“Nosso alerta para a população, sobretudo entre os mais jovens, é desconfiar de propostas de trabalho fácil com grande retorno financeiro no exterior. Muitas vezes o que parecia ser um sonho pode ser um grande pesadelo”, destacou a secretária da Sejusc.
Dados e canais de denúncia
Segundo a Polícia Federal, entre 2021 e julho de 2024 foram instaurados 325 inquéritos para apurar a prática do crime de tráfico de pessoas. A PF destaca a atuação no campo dos Direitos Humanos como parte importante da repressão a essa conduta.
Além dos postos policiais em qualquer parte do mundo, os canais de denúncia citados pela secretaria são o Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos (MDH), e o Ligue 180, da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres (SNPM), que aceitam relatos inclusive internacionais.
Símbolo da campanha
Conforme material da ONU, o símbolo do Coração Azul representa a solidariedade com as vítimas e a frieza de quem compra e vende pessoas. A adesão da Sejusc à campanha internacional visa ampliar a conscientização sobre essa nova modalidade de tráfico humano.
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Publicado em: 02/07/2026 às 11:00

