sábado, 19 de setembro de 2026
Cidades

Turismo no Amazonas combina natureza, cultura e geração de renda regional

O turismo no Amazonas reúne ecoturismo, cultura indígena e ribeirinha, patrimônio histórico, festivais populares e atividades ligadas aos rios e à floresta. O setor também movimenta serviços, gera renda e integra diferentes municípios da região.

O turismo no Amazonas é formado por uma combinação de floresta, rios, diversidade cultural e patrimônio histórico. Em um território marcado pela presença de comunidades indígenas, ribeirinhas e urbanas, a atividade turística se desenvolveu a partir de experiências ligadas à natureza e à vida amazônica. Ecoturismo, pesca esportiva, turismo de base comunitária, turismo científico, cruzeiros e eventos culturais integram a oferta do estado. (amazonastur.am.gov.br)

Mais do que uma atividade de lazer, o setor participa da economia regional ao movimentar hospedagem, alimentação, transporte, agências, comércio, produção cultural e serviços especializados. Em 2023, o Governo do Amazonas informou que o estado recebeu mais de 381 mil visitantes e registrou receita direta superior a R$ 942 milhões gerada pelo turismo. O levantamento apontou crescimento de 29,03% na receita em relação a 2022. (amazonastur.am.gov.br)

Natureza como principal atração

A paisagem natural é o principal elemento de identificação do turismo amazonense. A rede hidrográfica, as áreas de floresta, os igarapés, as praias de rio, as cachoeiras e as unidades de conservação formam um conjunto de atrativos que pode ser explorado em diferentes modalidades. Passeios de barco, trilhas, observação de fauna, banhos de rio, pesca esportiva e visitas a comunidades estão entre as experiências oferecidas aos visitantes. (gov.br)

O estado também possui áreas protegidas com potencial para o turismo sustentável. Publicação da Secretaria de Estado do Meio Ambiente informa que 24 unidades de conservação estaduais abrigam operações turísticas, incluindo pousadas mantidas por ribeirinhos. Nessas localidades, a oferta costuma estar associada à culinária regional, às trilhas na floresta, aos banhos de rio e ao contato com modos de vida tradicionais. (sema.am.gov.br)

Entre os destinos de natureza estão regiões próximas a Manaus, Novo Airão, Presidente Figueiredo, Barcelos e outros municípios do interior. A Área de Proteção Ambiental Caverna do Maroaga, em Presidente Figueiredo, é conhecida pela presença de grutas e cachoeiras. Em Barcelos, a pesca esportiva se tornou um dos segmentos turísticos de maior visibilidade, enquanto Novo Airão reúne atrativos naturais e históricos na região do rio Negro. (gov.br)

Manaus e a memória do ciclo da borracha

Manaus funciona como principal porta de entrada para o turismo no Amazonas e concentra parte relevante da infraestrutura de transporte, hospedagem, alimentação, eventos e serviços turísticos. A cidade também apresenta um patrimônio arquitetônico associado ao ciclo da borracha, período em que a exploração do látex impulsionou a urbanização e a construção de edifícios monumentais.

O Teatro Amazonas, inaugurado em 1896, é um dos principais símbolos desse período. O edifício foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1966 e integra o conjunto histórico de Manaus, que também inclui referências como o Mercado Municipal Adolpho Lisboa, o Reservatório Mocó e o Porto de Manaus. O patrimônio preservado permite relacionar a história econômica da borracha à formação urbana e cultural da capital. (gov.br)

A experiência turística em Manaus, portanto, não se limita à floresta. O visitante encontra museus, prédios históricos, manifestações artísticas, gastronomia regional e espaços de convivência junto ao rio Negro. Essa combinação entre vida urbana e natureza ajuda a diferenciar a capital dentro do mercado turístico brasileiro.

Cultura indígena, ribeirinha e popular

A cultura é outro eixo central do turismo amazonense. Tradições indígenas, conhecimentos sobre a floresta, culinária, artesanato, música e festas populares fazem parte da identidade dos destinos. O turismo de base comunitária procura organizar as visitas a partir da participação dos moradores, com compartilhamento de saberes e distribuição dos benefícios econômicos no próprio território.

A Política Estadual de Turismo, instituída em janeiro de 2026, define o turismo de base comunitária como aquele organizado pelas próprias comunidades locais, com atividades que apresentam sua cultura, suas tradições e seu ambiente. A legislação relaciona esse modelo à preservação dos costumes, à conservação da natureza e ao fortalecimento da economia local. (legisla.imprensaoficial.am.gov.br)

Entre as manifestações culturais mais conhecidas está o Festival de Parintins, realizado anualmente no município de Parintins e marcado pela disputa entre os bois-bumbás Caprichoso e Garantido. O Bumbódromo, criado em 1988, é o principal espaço das apresentações. O festival transformou uma tradição popular em um evento de grande alcance, com impacto sobre o turismo, o trabalho de artistas, a produção cultural, o comércio e os serviços. (amazonastur.am.gov.br)

Além de Parintins, o calendário cultural do estado inclui festivais, celebrações religiosas, eventos musicais e manifestações ligadas às comunidades tradicionais. Essas atividades ajudam a descentralizar a oferta turística e apresentam ao visitante uma Amazônia que não se resume à paisagem natural.

Turismo e economia regional

A cadeia turística tem efeito sobre vários setores da economia. O visitante que chega ao Amazonas utiliza transporte aéreo ou fluvial, contrata passeios, consome alimentos, compra produtos regionais e utiliza serviços de hospedagem e entretenimento. Em áreas do interior, a atividade pode complementar outras fontes de renda e criar oportunidades para guias, barqueiros, artesãos, cozinheiras, condutores ambientais e empreendedores comunitários.

Os cruzeiros também contribuem para o fluxo de visitantes. Segundo relatório do Governo do Amazonas, as temporadas analisadas entre 2019 e 2025 reuniram mais de 80 embarcações e aproximadamente 60 mil turistas, com impacto econômico estimado em R$ 25 milhões. O documento também informa que a plataforma Amazonas To Go registrou mais de 130 mil acessos em 2025 e reunia 1.200 prestadores de serviços cadastrados. (amazonas.am.gov.br)

O desempenho recente reforça a importância do planejamento. Em janeiro de 2026, dados da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE apontaram alta de 4,7% na atividade turística do Amazonas em comparação com dezembro de 2025. Na comparação com janeiro de 2025, o crescimento informado foi de 13,7%. Os números refletem o desempenho dos serviços relacionados ao turismo, mas não representam, isoladamente, toda a economia estadual. (amazonastur.am.gov.br)

Desafios para o crescimento sustentável

O avanço do turismo depende de infraestrutura, conectividade, qualificação profissional, regularização dos prestadores e respeito às regras ambientais e culturais. Em um estado de grandes distâncias e forte dependência dos rios, o acesso a muitos destinos exige planejamento logístico e articulação entre poder público, empresas e comunidades.

Também é necessário garantir que o crescimento do setor não pressione os ecossistemas nem transforme tradições em produtos desvinculados de seus responsáveis. A preservação da floresta, a participação das populações locais e a valorização do patrimônio devem fazer parte da organização dos roteiros.

Com a aprovação do Plano Estadual de Turismo 2026-2036, o Amazonas passou a contar com um instrumento de planejamento de longo prazo voltado à qualificação dos destinos, ao fortalecimento da governança, à atração de investimentos e à promoção do turismo sustentável. A estratégia oficial reconhece a atividade como meio de geração de emprego e renda, valorização do patrimônio natural e cultural e integração econômica entre os municípios. (legisla.imprensaoficial.am.gov.br)

Assim, o turismo no Amazonas se estrutura na união entre natureza, cultura e economia regional. A floresta e os rios atraem visitantes, mas são as histórias, os conhecimentos e o trabalho das populações locais que dão sentido às experiências oferecidas. O desafio dos próximos anos será ampliar os benefícios da atividade sem comprometer os ambientes e as identidades que sustentam o destino.