segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Esportes

Estádios históricos que ajudaram a construir o futebol amazonense

Conheça os principais estádios históricos do futebol amazonense e entenda como Parque Amazonense, Colina, Vivaldo Lima, General Osório e Carlos Zamith marcaram a trajetória do esporte no estado.

A história do futebol amazonense está diretamente ligada aos estádios que receberam os principais clubes, clássicos e competições do estado. Antes das arenas modernas e dos grandes eventos esportivos, campos como o Parque Amazonense, o General Osório e o Estádio da Colina concentravam a atenção dos torcedores em Manaus.

Esses espaços não foram apenas locais para a disputa de partidas. Eles ajudaram a formar rivalidades, consolidaram a identidade de clubes tradicionais e registraram a passagem de nomes importantes do futebol brasileiro pela capital do Amazonas. Entre os principais símbolos dessa trajetória estão o Parque Amazonense, o Estádio Ismael Benigno, conhecido como Colina, o antigo Vivaldo Lima e o Estádio Municipal Carlos Zamith.

Parque Amazonense foi um dos primeiros grandes palcos

O Parque Amazonense é considerado um dos marcos da formação esportiva de Manaus. O espaço surgiu originalmente como hipódromo, inaugurado em 1906, e passou a receber atividades ligadas ao futebol nos anos seguintes. A transformação acompanhou a popularização do esporte na capital amazonense, especialmente nas primeiras décadas do século 20.

Conhecido também como Prado, o Parque Amazonense ficava na região do bairro Adrianópolis, em uma área que se tornou referência para o futebol local. A partir de 1918, o estádio passou a receber partidas do Campeonato Amazonense em sua fase amadora, segundo registros históricos reunidos por pesquisadores do esporte no estado. (ge.globo.com)

O local foi palco de confrontos entre equipes que se tornariam protagonistas do futebol amazonense, como Nacional, Rio Negro, Fast Clube, América e outros clubes tradicionais. Em uma época em que os deslocamentos eram mais difíceis e havia poucos campos estruturados, o Parque Amazonense concentrava partidas decisivas e grandes públicos.

O estádio também ficou associado ao período de crescimento do futebol durante e depois do ciclo da borracha. Embora Manaus tenha enfrentado mudanças econômicas e urbanas ao longo do século 20, o futebol permaneceu como uma das principais formas de lazer coletivo, e o Parque Amazonense funcionou como ponto de encontro de torcedores de diferentes bairros.

Com o surgimento de novas praças esportivas e a necessidade de estruturas maiores, o espaço perdeu protagonismo. O último jogo oficial registrado no Parque Amazonense ocorreu em 8 de julho de 1973, entre Rio Negro e Rodoviária. Depois disso, o antigo estádio entrou em processo de desaparecimento e deixou de fazer parte da rotina do futebol profissional. (portalnorte.com.br)

General Osório representa o início da prática esportiva organizada

Antes da consolidação do Parque Amazonense, outros campos já eram utilizados para a prática do futebol em Manaus. Entre eles estava o Estádio General Osório, localizado na região central da cidade, em uma área posteriormente incorporada ao Colégio Militar de Manaus.

O General Osório foi um dos espaços utilizados pelas primeiras equipes da capital. Em um período no qual ainda não havia uma rede de estádios voltada exclusivamente ao futebol, praças, campos militares e áreas de lazer recebiam partidas e treinamentos.

A importância histórica do General Osório está relacionada ao momento em que o futebol começou a deixar de ser uma atividade restrita a grupos organizados e passou a ganhar presença regular na vida urbana de Manaus. O local também faz parte da memória esportiva da região central, onde clubes e associações promoviam jogos em meio ao processo de expansão da cidade.

O espaço deixou de exercer a função de principal campo de futebol depois que o Parque Amazonense se consolidou como a grande praça esportiva da capital. Ainda assim, sua presença nos registros históricos ajuda a compreender que o futebol amazonense se desenvolveu de forma gradual, com partidas realizadas em diferentes pontos antes da construção de estádios mais estruturados.

Estádio da Colina se tornou símbolo do São Raimundo

O Estádio Ismael Benigno, conhecido popularmente como Estádio da Colina, é um dos mais importantes símbolos do futebol amazonense. Localizado na zona oeste de Manaus, o estádio pertence ao São Raimundo Esporte Clube e ficou conhecido pela posição elevada em relação ao bairro, origem do apelido que se tornou parte da identidade do local.

A história da Colina está ligada ao crescimento do São Raimundo, clube que construiu sua própria praça esportiva e transformou o estádio em um dos principais pontos de encontro da torcida alviceleste. O campo recebeu partidas do Campeonato Amazonense, clássicos locais e jogos com a presença de grandes nomes do futebol brasileiro.

O estádio foi inaugurado originalmente com o nome de Gilberto Mestrinho. Em 1977, passou a se chamar Estádio Ismael Benigno, em homenagem a um dos principais dirigentes e benfeitores da história do São Raimundo. A mudança reforçou a ligação entre o equipamento esportivo, o clube e o bairro onde está localizado. (d24am.com)

Durante o período de transição entre o declínio do Parque Amazonense e a consolidação do Vivaldo Lima, a Colina assumiu uma posição central no calendário do futebol de Manaus. O estádio recebeu clássicos entre Nacional e Rio Negro, confrontos do São Raimundo e partidas com clubes de outras regiões do país.

Pelé, Garrincha e outros jogadores conhecidos do futebol brasileiro estiveram em Manaus em partidas realizadas no estádio ou em eventos relacionados ao futebol local. A Colina também foi lembrada por receber confrontos de grande apelo popular, quando os estádios da capital ainda tinham papel decisivo na formação da cultura esportiva amazonense. (ge.globo.com)

Em 2014, o Estádio Ismael Benigno foi reinaugurado após obras de modernização realizadas no contexto da preparação de Manaus para a Copa do Mundo. A estrutura passou a atender a exigências contemporâneas de segurança e funcionamento, mantendo o vínculo histórico com o São Raimundo e com o futebol de bairro. (manaus.am.gov.br)

Vivaldo Lima foi o grande estádio do futebol amazonense

O Estádio Vivaldo Lima foi construído para responder ao crescimento do futebol profissional no Amazonas. A ideia de criar uma grande praça esportiva para Manaus ganhou força a partir da percepção de que o Parque Amazonense e os demais campos já não atendiam à demanda de clubes e torcedores.

O estádio recebeu o nome de Vivaldo Palma Lima, dirigente ligado ao Nacional e ao Fast Clube e uma das figuras de destaque na organização esportiva do estado. A construção começou depois de anos de debates e projetos, e o estádio foi inaugurado em 1970, tornando-se conhecido pelo apelido de Vivaldão.

A partida de inauguração reuniu as seleções do Brasil e do Amazonas, em 5 de abril de 1970. O evento colocou Manaus no circuito de grandes apresentações esportivas e consolidou o estádio como a principal praça do futebol amazonense durante várias décadas. (pt.wikipedia.org)

O Vivaldo Lima recebeu clássicos estaduais, partidas de competições nacionais, amistosos internacionais e jogos envolvendo clubes de grande projeção. Também ficou associado a públicos expressivos, especialmente em confrontos entre Nacional e Rio Negro, os dois clubes que protagonizam o tradicional Rio-Nal.

O estádio foi ainda um dos principais espaços para a realização de partidas com a presença de equipes de outras regiões e de jogadores reconhecidos nacionalmente. Para muitos torcedores amazonenses, assistir a um jogo no Vivaldão representava uma experiência que reunia futebol, vida comunitária e orgulho regional.

Com a escolha de Manaus como uma das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, o antigo estádio foi demolido para dar lugar à Arena da Amazônia. A nova arena preservou o nome Vivaldo Lima na denominação oficial, como forma de manter a referência histórica ao antigo estádio e à memória do futebol local. (campeoesdofutebol.com.br)

A substituição provocou debates entre torcedores e pesquisadores. De um lado, a Arena passou a oferecer uma estrutura moderna para grandes eventos. De outro, o fim do Vivaldão encerrou a existência física de um dos lugares mais importantes da história esportiva do Amazonas.

Carlos Zamith homenageia a memória do futebol local

O Estádio Municipal Jornalista Carlos Zamith representa uma geração mais recente de equipamentos esportivos, mas também está ligado à preservação da história do futebol amazonense. Localizado no bairro Coroado, na zona leste de Manaus, o estádio foi construído no contexto da preparação da cidade para a Copa do Mundo de 2014.

O espaço foi planejado inicialmente como campo oficial de treinamento para as seleções que atuariam em Manaus. Depois do torneio, passou a ser utilizado em partidas de competições estaduais e nacionais, além de atividades relacionadas ao futebol de base.

O nome é uma homenagem ao jornalista Carlos Zamith, conhecido pelo trabalho de pesquisa e registro da história do futebol do Amazonas. Durante décadas, Zamith reuniu jornais, anotações, escalações, resultados e relatos que ajudaram a preservar a memória de clubes, jogadores e campeonatos disputados no estado.

A primeira partida do estádio ocorreu em julho de 2014, em uma competição de juniores. Desde então, o Carlos Zamith passou a receber jogos de diferentes equipes amazonenses e se tornou uma alternativa importante para clubes que precisam de uma estrutura de médio porte.

Em maio de 2025, o Governo do Amazonas informou a entrega de obras de modernização no estádio, incluindo melhorias estruturais e novo sistema de iluminação. A medida ampliou a possibilidade de uso do espaço em competições municipais, estaduais, nacionais e internacionais. (diario.imprensaoficial.am.gov.br)

Estádios preservam a memória do futebol no Amazonas

A trajetória dos estádios históricos do futebol amazonense revela as diferentes fases do esporte no estado. O General Osório representa os primeiros espaços de prática organizada. O Parque Amazonense simboliza a consolidação dos campeonatos e dos grandes clássicos. A Colina expressa a força dos clubes de bairro e das torcidas locais. O Vivaldo Lima marcou a profissionalização e a chegada de grandes eventos a Manaus. Já o Carlos Zamith conecta a tradição esportiva à infraestrutura contemporânea.

Mesmo quando deixam de receber partidas, esses estádios continuam presentes na memória dos torcedores. Seus nomes aparecem em livros, arquivos, relatos de cronistas e lembranças de quem acompanhou o futebol amazonense em diferentes períodos.

Preservar essa história significa reconhecer que o futebol do Amazonas foi construído não apenas por títulos e campanhas, mas também pelos lugares onde os jogos aconteceram. Cada estádio ajudou a formar uma parte da identidade esportiva de Manaus e a criar vínculos entre clubes, bairros e gerações de torcedores.