Rio Preto da Eva, no Amazonas, tem sua história associada à abertura da estrada que ligou Manaus a Itacoatiara, à formação de uma colônia agrícola e à ocupação das margens do rio que dá nome ao município. Ao longo das décadas, a produção rural, os rios, a floresta e a proximidade com a capital ajudaram a construir uma identidade própria para a cidade.
Com população de 24.936 pessoas no Censo 2022, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município está entre os destinos do entorno de Manaus com potencial para atividades de turismo gastronômico, rural, de pesca esportiva e de natureza. O planejamento estadual de turismo também destaca a combinação entre propriedades rurais, produtos agroextrativistas, balneários e experiências ligadas ao modo de vida amazônico. (ibge.gov.br)
Uma história ligada à estrada e à formação agrícola
A origem de Rio Preto da Eva está relacionada aos trabalhos iniciados pelo governo do Amazonas, na década de 1960, para abrir uma estrada entre Manaus e Itacoatiara. Até então, a circulação entre as localidades dependia principalmente dos rios. A construção da rodovia criou uma nova rota de deslocamento e estimulou a chegada de famílias interessadas em ocupar terras e desenvolver atividades agrícolas.
De acordo com o histórico divulgado pela Prefeitura, moradores de comunidades ribeirinhas próximas, como Rubim e Tiririca, além de pessoas vindas de Manaus, começaram a se fixar nas margens da estrada. O movimento deu origem a uma colônia formada por agricultores e trabalhadores ligados à implantação da rodovia. (riopretodaeva.am.gov.br)
Em 12 de abril de 1961, a localidade foi elevada à categoria de município com o nome de Eva. A expansão das obras, no entanto, encontrou um obstáculo importante: um rio de águas escuras interrompia o avanço da estrada. O local passou a receber acampamentos de empresas envolvidas nos trabalhos e se tornou um ponto estratégico para a continuidade do projeto rodoviário.
Uma balsa trazida de Manaus pelos rios Amazonas, Paraná da Eva e Rio Grande foi usada para transportar pessoas, máquinas, alimentos e materiais. A travessia ajudou a manter a circulação enquanto a infraestrutura definitiva não era construída. Posteriormente, uma ponte de madeira e, depois, uma ponte de concreto facilitaram o deslocamento e contribuíram para o crescimento da colônia.
Com o aumento do número de moradores, foi criada a Colônia Agrícola do Rio Preto, ligada à Secretaria Estadual de Produção Rural. A iniciativa ajudou na divisão dos lotes e na organização da produção. Em 1964, o município de Eva foi extinto, e a localidade passou a se desenvolver como colônia durante as décadas seguintes. Em 10 de dezembro de 1981, voltou à categoria de município com o nome de Rio Preto da Eva. A denominação faz referência ao rio de águas escuras e ao Paraná da Eva. (riopretodaeva.am.gov.br)
A agricultura como base da economia local
A agricultura esteve presente desde a formação da comunidade e continua sendo um dos elementos centrais da identidade de Rio Preto da Eva. Nos primeiros anos, as famílias praticavam agricultura de subsistência e produziam farinha, feijão, arroz, milho, abacaxi, cupuaçu e cana-de-açúcar.
Com o crescimento da produção, os agricultores passaram a contar com transporte para levar mercadorias a Manaus. Segundo o relato histórico municipal, um caminhão fazia o trajeto semanal até a Feira do Produtor, permitindo a comercialização de itens produzidos na colônia. A farinha de mandioca ganhou destaque nesse período e se tornou uma das referências da produção local. (riopretodaeva.am.gov.br)
Ao longo do tempo, a produção rural se diversificou. Mandioca, hortaliças, frutas tropicais, laranja, cupuaçu, coco, banana, abacaxi e outros produtos passaram a integrar as atividades de agricultores familiares e produtores rurais. Também aparecem entre as atividades do setor primário a criação de animais, a piscicultura, a pesca e o extrativismo vegetal.
Documentos de planejamento municipal apontam a agricultura anual e perene como atividades relevantes para o desenvolvimento local. A produção de mandioca e hortaliças, além de culturas como laranja, cupuaçu, cacau e coco, abastece mercados da região e mantém vínculos comerciais com Manaus. (sema.am.gov.br)
O calendário de feiras também expressa essa importância. Em 2025, o município realizou a Feira da Laranja, a Feira da Piscicultura e a Feira da Agricultura Familiar. Eventos desse tipo reúnem produtores, comerciantes e consumidores, além de promoverem a divulgação de alimentos e produtos feitos na região. (riopretodaeva.am.gov.br)
Turismo rural e gastronomia amazônica
A agricultura de Rio Preto da Eva não se limita à produção de alimentos. Ela também participa da experiência turística oferecida no município. Propriedades rurais, áreas de cultivo, criação de peixes, produtos artesanais e refeições preparadas com ingredientes regionais aproximam o visitante do cotidiano do campo.
O turismo rural aparece, nesse contexto, como uma forma de conhecer a produção e os costumes locais. Em vez de separar campo e cidade, esse segmento reúne paisagem, alimentação, trabalho, memória e hospitalidade. A visita a uma propriedade pode envolver contato com plantações, degustação de produtos, observação de práticas agrícolas e consumo de refeições associadas à culinária amazônica.
O café regional é uma das marcas do município e contribui para a procura por Rio Preto da Eva, especialmente nos fins de semana. A cidade é reconhecida pela oferta de cafés da manhã e pratos que valorizam ingredientes regionais, em um movimento de turismo de proximidade para moradores de Manaus e de outras cidades do entorno. (amazonastur.am.gov.br)
Esse fluxo também fortalece pequenos negócios, restaurantes, feiras, produtores familiares e empreendimentos voltados ao lazer. A gastronomia funciona como ponto de encontro entre a produção agrícola e o turismo, pois transforma frutas, peixes, farinha, bebidas e outros itens locais em parte da experiência de quem visita o município.
Rios, balneários e paisagens naturais
A natureza é outro componente importante da identidade de Rio Preto da Eva. O município reúne rios, áreas de floresta, propriedades rurais e balneários utilizados para lazer. As águas escuras do rio que dá nome à cidade também fazem parte da memória de sua formação histórica.
Os balneários naturais estão entre os atrativos procurados por visitantes em períodos de calor, fins de semana e feriados. O contato com a água e com a vegetação amazônica é combinado, em muitos casos, com alimentação regional e atividades de descanso. A experiência, portanto, está ligada tanto ao ambiente natural quanto à estrutura oferecida por empreendimentos e comunidades.
O Plano Estadual de Turismo 2026-2036 classifica Rio Preto da Eva como município com oferta turística complementar e destaca seu potencial para turismo de natureza, turismo rural, pesca esportiva e gastronomia. O documento cita ainda a presença de propriedades rurais, balneários e atrativos naturais, além da Caverna do Maruága. (amazonastur.am.gov.br)
O turismo de natureza depende, porém, de cuidados com o ambiente. A conservação das margens dos rios, o manejo adequado dos resíduos, o respeito às áreas de floresta e a valorização das comunidades são fatores que influenciam a qualidade dos atrativos e a continuidade das atividades. Quando o visitante consome produtos locais e segue as orientações dos responsáveis pelos espaços, contribui para uma cadeia econômica mais ligada ao território.
Comunidades, cultura e identidade amazônica
A formação de Rio Preto da Eva envolveu famílias ribeirinhas, agricultores, trabalhadores da estrada, migrantes e comunidades que já mantinham relação com os rios e a floresta. Essa diversidade ajuda a explicar por que a identidade do município combina práticas agrícolas, deslocamentos fluviais, comércio, religiosidade, artesanato e alimentação.
O turismo também pode revelar essa dimensão cultural. O artesanato, os produtos da agricultura familiar e as formas de preparo dos alimentos funcionam como elementos de memória e de transmissão de conhecimentos. Em roteiros rurais e comunitários, o visitante encontra não apenas paisagens, mas histórias relacionadas à ocupação da região e às estratégias de vida desenvolvidas no interior do Amazonas.
Materiais de divulgação turística do governo federal já destacaram, na chamada Rota de Rio Preto da Eva, atividades como produção de laranjas, flores, piscicultura e artesanato. O material também menciona a Comunidade Indígena Beija Flor e a produção artesanal associada a diferentes etnias. (gov.br)
O desafio de conciliar desenvolvimento e conservação
A proximidade com Manaus amplia as oportunidades para Rio Preto da Eva, mas também aumenta a necessidade de planejamento. O crescimento do turismo e da produção rural pode gerar renda, estimular empreendimentos e ampliar os mercados para os agricultores. Ao mesmo tempo, exige cuidados com o uso do solo, a proteção dos recursos hídricos, a destinação de resíduos e a infraestrutura de acesso.
A integração entre agricultura, turismo e natureza pode ser uma estratégia de desenvolvimento quando respeita os limites ambientais e fortalece os moradores. Para isso, é importante que os benefícios alcancem produtores, trabalhadores, comunidades e pequenos negócios, e não apenas os empreendimentos de maior porte.
Rio Preto da Eva apresenta, assim, uma trajetória marcada pela transformação de uma colônia agrícola em um município conectado à capital e ao mercado regional. Sua história começou com a abertura de uma estrada e a busca de famílias por terra e trabalho. Hoje, a cidade mantém a agricultura como uma de suas bases e amplia sua presença no turismo por meio da gastronomia, das propriedades rurais, dos balneários e das paisagens amazônicas.