segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Dia a Dia

Calor intenso no Amazonas: como se proteger da desidratação e da fumaça

Veja como os amazonenses podem enfrentar períodos de calor intenso, com orientações sobre hidratação, alimentação, roupas, atividades ao ar livre, cuidados com a fumaça e sinais de alerta para procurar atendimento médico.

Enfrentar o calor intenso no Amazonas exige mais do que buscar sombra ou tomar banhos frios. Em períodos de temperaturas elevadas, a combinação entre calor, umidade, exposição ao sol e, em determinadas épocas, fumaça de queimadas pode aumentar o risco de desidratação, insolação e agravamento de doenças respiratórias.

As principais recomendações dos órgãos de saúde são manter a hidratação, reduzir o esforço físico nos horários mais quentes, usar roupas leves e observar com atenção crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas. Quando há fumaça no ar, também é importante diminuir o tempo de exposição ao ambiente externo e acompanhar os comunicados oficiais sobre a qualidade do ar.

As orientações abaixo reúnem medidas práticas para proteger a saúde em casa, no trabalho, durante deslocamentos e em atividades ao ar livre.

Por que o calor intenso exige cuidados no Amazonas

O calor excessivo aumenta a perda de água e sais minerais pelo suor. Quando a reposição não é suficiente, podem surgir sinais de desidratação, como sede intensa, fraqueza, tontura, dor de cabeça, boca seca e redução da urina.

A exposição prolongada ao sol ou a realização de esforço físico em ambientes muito quentes também pode provocar insolação. Segundo o Ministério da Saúde, o quadro pode comprometer a capacidade do organismo de controlar a própria temperatura e, em situações graves, causar confusão mental, convulsões, coma e risco de morte.

No Amazonas, o calor pode ainda coincidir com períodos de estiagem e presença de fumaça. A poluição do ar tende a agravar sintomas de pessoas com asma, bronquite, rinite, doença pulmonar ou problemas cardiovasculares. Nesses casos, a prevenção precisa considerar tanto a temperatura quanto a qualidade do ar.

Hidrate-se ao longo de todo o dia

A principal medida para enfrentar o calor é beber líquidos regularmente, mesmo quando a sede ainda não apareceu. A água deve ser a primeira opção. Sucos naturais e outros líquidos sem álcool também podem fazer parte da rotina, mas bebidas alcoólicas devem ser evitadas porque favorecem a desidratação.

Uma orientação apresentada em material do Ministério da Saúde é consumir, como referência geral, pelo menos 2 litros de líquidos por dia. Essa quantidade pode variar conforme idade, peso, atividade física, condições de saúde e orientação médica. Pessoas com restrição de líquidos por causa de doenças cardíacas ou renais devem seguir a recomendação do profissional que acompanha o caso.

Para facilitar a hidratação, mantenha uma garrafa por perto em casa, no trabalho ou durante deslocamentos. Crianças e idosos precisam de atenção especial, porque podem não perceber ou não comunicar adequadamente a sede.

Urina muito escura, pouca urina, tontura ao levantar, fraqueza e boca seca são sinais que merecem observação. Se os sintomas forem intensos ou persistentes, procure uma unidade de saúde.

Escolha roupas leves e proteja a pele

Roupas largas, claras e feitas de tecidos que favorecem a ventilação ajudam o corpo a liberar calor. Sempre que possível, evite peças apertadas e tecidos sintéticos que dificultem a transpiração.

Ao sair durante o dia, use chapéu ou boné, óculos escuros com proteção contra raios ultravioleta e protetor solar. A proteção deve ser reforçada em atividades realizadas sob sol direto, como caminhadas, trabalhos externos, deslocamentos e permanência em praias, rios ou áreas abertas.

O protetor solar não substitui a busca por sombra nem reduz o risco de desidratação. Por isso, é importante combinar proteção da pele com pausas em locais frescos e ingestão frequente de água.

Adapte a rotina nos horários mais quentes

Atividades físicas e tarefas que exigem esforço devem ser programadas, quando possível, para o início da manhã ou o fim da tarde. O Ministério da Saúde recomenda evitar a exposição prolongada ao sol e planejar atividades ao ar livre nos horários de menor calor.

Quem trabalha na rua ou em áreas sem ventilação deve fazer pausas frequentes, procurar sombra e manter água disponível. Também é recomendável usar roupas adequadas e evitar atividades muito intensas sem intervalos.

Durante o exercício, a pessoa deve interromper a atividade se sentir tontura, náusea, fraqueza, dor de cabeça, cãibras ou dificuldade para respirar. Continuar o esforço nessas condições pode aumentar o risco de exaustão pelo calor e insolação.

Deixe a casa mais fresca

Em casa, abra janelas no começo da manhã e à noite, quando o ar externo estiver mais fresco. Durante o período de maior calor, mantenha cortinas, persianas ou outros bloqueios fechados nas áreas que recebem sol direto.

Se o ambiente externo estiver mais quente ou com fumaça, mantenha as janelas fechadas e reduza a entrada de ar poluído. Ventiladores, aparelhos de ar-condicionado e umidificadores podem ajudar, desde que sejam utilizados e higienizados de acordo com as orientações do fabricante.

Banhos frios ou em temperatura confortável podem aliviar o desconforto, especialmente antes de dormir. A recomendação é evitar água muito quente, que pode aumentar o ressecamento da pele.

Também vale priorizar refeições leves, com frutas, verduras e alimentos de fácil digestão. Em dias muito quentes, refeições pesadas podem aumentar a sensação de mal-estar.

Redobre a atenção com pessoas mais vulneráveis

Crianças pequenas, pessoas idosas, gestantes e indivíduos com doenças crônicas estão entre os grupos que podem sofrer mais com o calor. Pessoas com doenças cardíacas, pressão alta, diabetes, asma, doença pulmonar ou problemas renais devem receber acompanhamento mais próximo.

Verifique se essas pessoas estão bebendo líquidos, permanecendo em locais ventilados e apresentando mudanças no comportamento ou no estado geral. Em idosos, a sede pode ser menos perceptível. Já bebês e crianças dependem dos adultos para receber água e permanecer protegidos do sol.

Medicamentos não devem ser interrompidos nem ajustados por conta própria durante ondas de calor. Se houver dúvidas sobre remédios que possam interferir na hidratação ou na pressão arterial, a orientação deve ser solicitada a um médico ou farmacêutico.

Também é importante observar vizinhos, familiares e pessoas em situação de rua que possam estar expostos ao calor sem acesso a água, sombra ou ambiente fresco. A identificação precoce de sinais de mal-estar pode evitar o agravamento do quadro.

Como agir quando há fumaça no ar

Em períodos de queimadas e fumaça, a recomendação é acompanhar boletins meteorológicos, alertas da Defesa Civil e informações oficiais sobre a qualidade do ar. Quando a fumaça estiver intensa, reduza o tempo ao ar livre e evite exercícios externos.

A Defesa Civil do Amazonas orienta a população a manter a casa limpa e arejada conforme as condições do ambiente, evitar queimadas e procurar atendimento médico diante de problemas respiratórios.

Pessoas com asma, bronquite, rinite, doença pulmonar ou cardiopatia devem manter disponíveis os medicamentos prescritos e buscar atendimento se os sintomas piorarem. Tosse persistente, falta de ar, chiado no peito, dor ou aperto no peito e cansaço fora do habitual exigem atenção.

Máscaras do tipo PFF2 ou N95 podem reduzir a inalação de partículas finas em situações de fumaça, desde que estejam bem ajustadas ao rosto. Crianças pequenas e pessoas com dificuldades respiratórias devem receber orientação profissional sobre o uso.

Reconheça os sinais de exaustão e insolação

Os primeiros sinais de problemas relacionados ao calor podem incluir transpiração excessiva, fraqueza, tontura, náusea, dor de cabeça, cãibras musculares e diarreia. Nessa situação, interrompa a atividade, leve a pessoa para um local fresco e ofereça água se ela estiver consciente e conseguir beber.

A insolação é mais grave. Confusão mental, desmaio, convulsão, dificuldade para respirar, pele muito quente, temperatura corporal elevada e alteração do nível de consciência indicam necessidade de atendimento imediato.

Enquanto o socorro não chega, leve a pessoa para a sombra ou para um ambiente ventilado, retire o excesso de roupas e use panos úmidos ou água fresca para ajudar a resfriar o corpo. Não ofereça líquidos a alguém desmaiado, confuso ou com dificuldade para engolir.

Em emergências médicas, ligue para o Samu, pelo número 192. Em ocorrências relacionadas a incêndios, o Corpo de Bombeiros pode ser acionado pelo 193. A Defesa Civil atende pelo 199.

Cuidados simples ajudam a reduzir riscos

O calor intenso pode ser enfrentado com planejamento. Levar água, escolher horários mais frescos, usar proteção contra o sol, manter a casa ventilada e reduzir o esforço físico são medidas simples que diminuem os riscos.

Quando o calor estiver associado à fumaça, a proteção deve incluir a redução da exposição ao ar livre e o acompanhamento das informações oficiais. Pessoas vulneráveis precisam ser observadas de perto, e sintomas persistentes não devem ser tratados apenas em casa.

As recomendações são educativas e não substituem avaliação médica. Em caso de piora, falta de ar, confusão mental, desmaio, convulsão ou suspeita de insolação, procure atendimento de emergência imediatamente.