segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Dia a Dia

Como muda a rotina durante a seca dos rios no Amazonas

A seca dos rios no Amazonas muda o deslocamento das comunidades, dificulta o acesso à água potável e pode aumentar os riscos de doenças, calor extremo e fumaça. Saiba como adaptar a rotina durante a estiagem.

A seca dos rios no Amazonas muda a rotina de milhares de pessoas, principalmente nas comunidades ribeirinhas, indígenas e rurais que dependem dos cursos d’água para se deslocar, comprar alimentos, buscar atendimento de saúde e receber outros serviços essenciais. Com a redução do nível dos rios, trajetos que antes eram feitos diretamente por embarcações podem ficar mais longos, lentos ou até interrompidos.

Os efeitos não se limitam à navegação. A estiagem também pode dificultar o acesso à água própria para consumo, elevar o custo do transporte de mercadorias, afetar o abastecimento de alimentos e combustíveis e aumentar os riscos de doenças relacionadas à água contaminada. Em períodos de calor intenso e fumaça de queimadas, a saúde respiratória também exige atenção.

A intensidade dos impactos varia de acordo com o rio, o município, a distância até a sede urbana e a estrutura disponível em cada comunidade. Por isso, a orientação é acompanhar os comunicados da Defesa Civil, das prefeituras, das secretarias de saúde e de outros órgãos oficiais.

Transporte fluvial fica mais demorado e exige planejamento

Durante a vazante, bancos de areia, pedras e trechos rasos podem aparecer no leito dos rios. A navegação passa a exigir mais cuidado, e embarcações de maior porte podem ter dificuldade para circular em determinados pontos. Em algumas localidades, o deslocamento precisa ser complementado por caminhadas, pequenas embarcações ou veículos que não eram usados normalmente.

Para quem vive em áreas ribeirinhas, a ida à cidade pode deixar de ser uma viagem simples. Consultas médicas, compras, recebimento de benefícios, matrícula escolar e outras atividades passam a exigir mais tempo e organização. A Defesa Civil do Amazonas já apontou que a redução dos níveis dos rios pode dificultar o tráfego de grandes embarcações e o transporte de pacientes que precisam chegar às sedes municipais. (defesacivil.am.gov.br)

Antes de viajar, é importante confirmar as condições do trecho com moradores, transportadores, associações comunitárias ou autoridades locais. Também é recomendável evitar deslocamentos em horários de pouca visibilidade, usar colete salva-vidas quando disponível e não exceder a capacidade da embarcação.

Quem precisa viajar para atendimento de saúde deve tentar antecipar o contato com a unidade responsável, especialmente quando há suspeita de que o trajeto possa ser interrompido. Medicamentos de uso contínuo, documentos e contatos de emergência devem ser mantidos em embalagem protegida da água.

Água para beber passa a exigir mais cuidado

Com a diminuição do volume dos rios e o afastamento das margens, algumas famílias podem ter mais dificuldade para captar água. Em certos locais, a população recorre a poços, cacimbas ou outras fontes alternativas. Sem tratamento adequado, essas águas podem oferecer risco de contaminação.

Órgãos de saúde do Amazonas relacionam a estiagem ao desabastecimento de água própria para consumo e ao aumento do risco de doenças diarreicas e hepatites A e E. A preocupação é maior quando a mesma fonte é usada para beber, preparar alimentos, lavar utensílios e fazer a higiene das mãos. (saude.am.gov.br)

A água destinada ao consumo deve ser tratada conforme a orientação da autoridade de saúde local. O hipoclorito de sódio a 2,5%, quando distribuído pelas unidades de saúde, deve ser utilizado somente na quantidade e na forma indicadas no rótulo ou pelos profissionais. Não se deve aplicar produtos sem identificação, misturar substâncias ou aumentar a dose por conta própria.

Também é necessário manter recipientes limpos, tampados e protegidos do sol, de animais e de produtos químicos. A retirada da água deve ser feita com utensílio limpo. Garrafas, baldes e caixas não devem ser compartilhados com materiais usados para lavar roupas, limpar o chão ou armazenar combustíveis.

Higiene e alimentação precisam ser reorganizadas

Quando a água fica escassa, a higiene das mãos e dos alimentos pode ser prejudicada. Esse cenário favorece a transmissão de microrganismos e pode aumentar a ocorrência de diarreia, principalmente entre crianças.

Antes de preparar refeições, comer, cuidar de crianças ou usar o banheiro, a orientação é higienizar as mãos com água tratada e sabão. Frutas, verduras e utensílios também devem ser lavados com água própria para esse fim. Alimentos preparados não devem permanecer expostos ao calor por longos períodos.

A Prefeitura de Manaus alerta que, durante a estiagem, a maior dificuldade de acesso à água tratada pode elevar o risco de contaminação de alimentos e de doenças diarreicas. Em caso de diarreia, vômitos ou sinais de desidratação, é importante buscar atendimento e reforçar a oferta de líquidos conforme a orientação dos profissionais de saúde. (manaus.am.gov.br)

Os sinais de alerta incluem muita sede, boca seca, fraqueza, tontura, pouca urina, sonolência e piora do estado geral. Crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas podem se desidratar mais rapidamente e precisam de avaliação com maior agilidade.

Compras e abastecimento podem exigir antecipação

A seca interfere na chegada de alimentos, medicamentos, gás de cozinha, combustíveis e materiais de uso diário. Quando os rios ficam mais baixos, o transporte pode ficar mais lento, exigir rotas alternativas ou aumentar o consumo de combustível. Esses fatores podem pressionar os preços e reduzir a variedade de produtos disponíveis em localidades mais isoladas.

Uma medida prática é organizar as compras com antecedência, sem formar estoques exagerados. Famílias que dependem de medicamentos de uso contínuo devem verificar o prazo das receitas e a disponibilidade dos remédios antes de uma viagem. Produtos essenciais devem ser guardados em local seco, ventilado e protegido de crianças e animais.

O planejamento precisa considerar também a alimentação. Sempre que possível, é recomendável priorizar produtos com maior durabilidade, manter os alimentos protegidos e evitar desperdícios. A compra deve respeitar a capacidade financeira da família e as orientações dos serviços locais, principalmente quando houver distribuição emergencial de cestas, água ou insumos.

Calor intenso muda os horários das atividades

A estiagem pode ocorrer junto com temperaturas elevadas e baixa umidade. Nesses dias, atividades físicas e trabalhos expostos ao sol tendem a causar maior desgaste. O Comitê Técnico-Científico do Governo do Amazonas recomenda aumentar a ingestão de água, evitar exposição direta ao sol nos horários de maior calor e reduzir esforços físicos ao ar livre quando as condições estiverem desfavoráveis. (defesacivil.am.gov.br)

Na rotina, vale priorizar tarefas externas no início da manhã ou no fim da tarde, usar roupas leves e proteger a cabeça e a pele. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças cardíacas ou respiratórias precisam de atenção especial.

Mesmo sem sentir sede, é importante beber líquidos regularmente, salvo quando houver restrição médica. Bebidas alcoólicas não substituem a água e podem contribuir para a desidratação. Em caso de tontura, confusão, desmaio, fraqueza intensa ou dificuldade para respirar, a pessoa deve ser retirada do calor e encaminhada para atendimento.

Fumaça e poeira podem agravar problemas respiratórios

Em alguns períodos de estiagem, a seca dos rios ocorre ao mesmo tempo que queimadas, fumaça e aumento da poeira. A combinação pode provocar ardência nos olhos, irritação no nariz e na garganta, tosse, chiado, falta de ar e piora de doenças como asma, bronquite e outras enfermidades respiratórias.

A orientação é acompanhar os alertas sobre qualidade do ar, reduzir a permanência ao ar livre quando houver fumaça intensa e manter os ambientes limpos e ventilados, desde que isso não aumente a entrada de fumaça. A limpeza com pano úmido ajuda a evitar que a poeira se espalhe. A Defesa Civil recomenda atenção especial a crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas. (defesacivil.am.gov.br)

Não é seguro queimar lixo, folhas ou outros materiais. Além de piorar a qualidade do ar, o fogo pode se espalhar rapidamente em áreas de vegetação seca. Em caso de incêndio, a população deve acionar os canais oficiais de emergência disponíveis no município e evitar aproximar-se das chamas.

Armazenar água exige prevenção contra o mosquito

Quando chove menos, as famílias podem aumentar o armazenamento de água em baldes, caixas, tonéis e outros recipientes. Esse cuidado pode ser necessário, mas os recipientes precisam ficar bem tampados. Qualquer objeto que acumule água parada pode se transformar em criadouro do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, da zika e da chikungunya.

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas orienta verificar regularmente caixas-d’água, baldes, pneus, garrafas, vasos de plantas e outros recipientes. O armazenamento deve ser acompanhado de limpeza e proteção adequadas. (fvs.am.gov.br)

Também é importante eliminar recipientes abandonados no quintal e observar calhas, lonas e áreas de drenagem. A água usada para consumo deve ser separada de recipientes destinados à limpeza ou a outras atividades.

O que deve ficar preparado em casa

  • Água tratada e armazenada em recipientes limpos e tampados;
  • Documentos protegidos em embalagem impermeável;
  • Medicamentos de uso contínuo e receitas atualizadas;
  • Lanterna, pilhas, carregador portátil e contatos de emergência;
  • Alimentos de maior durabilidade, sem exagerar na formação de estoques;
  • Repelente, itens de higiene e materiais para primeiros cuidados;
  • Informações sobre rotas, horários de embarcações e pontos de atendimento.

O conteúdo deve ser adaptado à realidade de cada família e comunidade. Em localidades isoladas, a organização coletiva pode ajudar a compartilhar informações sobre níveis dos rios, condições de navegação, chegada de suprimentos e funcionamento dos serviços.

Onde buscar informações confiáveis

Durante a seca dos rios no Amazonas, a população deve priorizar comunicados da Defesa Civil estadual e municipal, das secretarias de saúde, das prefeituras, da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas e de órgãos responsáveis pelo monitoramento dos rios e da qualidade do ar.

O Ministério Público de Contas do Amazonas mantém uma página com dados, mapas e informações de órgãos públicos sobre níveis dos rios, condições meteorológicas, focos de calor, queimadas e qualidade do ar. (mpc.am.gov.br)

Como os níveis dos rios variam entre as calhas e os municípios, uma recomendação válida para uma localidade pode não se aplicar a outra. A melhor preparação combina acompanhamento dos alertas oficiais, planejamento de deslocamentos, cuidado com a água e atenção aos sinais de problemas de saúde.