segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Esportes

Futevôlei ganha espaço entre crianças e jovens no Amazonas

O futevôlei tem conquistado crianças e jovens no Amazonas com a expansão de escolinhas, projetos sociais e espaços públicos destinados à prática esportiva. Em Manaus, iniciativas ligadas ao poder público passaram a oferecer aulas gratuitas em diferentes bairros, enquanto municípios do interior também criaram núcleos de formação.

O futevôlei tem ampliado sua presença entre crianças e jovens no Amazonas. A modalidade, que combina fundamentos do futebol com a dinâmica do vôlei de praia, passou a ocupar quadras e arenas de diferentes bairros de Manaus e também ganhou iniciativas de formação esportiva no interior do Estado.

A expansão ocorre por meio de escolinhas particulares, projetos sociais e programas públicos voltados ao esporte de base. Em comum, essas ações utilizam a prática esportiva como ferramenta de convivência, disciplina, desenvolvimento físico e ocupação do tempo livre.

Em Manaus, uma das principais iniciativas é o projeto Mais Futevôlei nos Bairros, anunciado em 2022 pelo Governo do Amazonas. A proposta foi criada para oferecer aulas gratuitas a crianças e jovens em núcleos distribuídos pela capital, dentro da estrutura do Projeto Esporte e Lazer na Capital e Interior (Pelci).

Modalidade deixa de ser restrita aos adultos

Durante anos, o futevôlei esteve associado principalmente a grupos de adultos que se reuniam em praias, clubes e arenas privadas. A criação de turmas voltadas ao público infantil e juvenil mudou esse cenário e aproximou a modalidade das comunidades.

As aulas para crianças costumam priorizar fundamentos básicos, coordenação motora, domínio da bola, deslocamento na areia e noção de espaço. A competição aparece de forma gradual, conforme o aluno desenvolve segurança e capacidade para participar de jogos e torneios.

Além da técnica, os treinamentos estimulam a convivência entre participantes de diferentes idades e níveis de experiência. O trabalho em dupla exige comunicação, cooperação e responsabilidade compartilhada, características que fazem parte da dinâmica do esporte.

Outro fator de atração é a possibilidade de praticar uma atividade ao ar livre. Em uma cidade com clima quente durante boa parte do ano, as arenas de areia se transformaram em pontos de encontro para moradores e em alternativas de lazer para famílias.

Projetos públicos ampliam o acesso em Manaus

O projeto Mais Futevôlei nos Bairros foi apresentado com a previsão inicial de dez escolinhas em diferentes regiões de Manaus. Entre os locais citados estavam o Complexo Esportivo do Passarinho, no Terra Nova 3; o Campo da Baixada Fluminense, na Cidade Nova; o Campo do CDC da Compensa; a Arena do Monte, no Monte das Oliveiras; e a Vila Olímpica de Manaus, no bairro Dom Pedro.

A iniciativa também contemplava espaços como o Centro Esportivo Municipal Hileia, na Redenção, o Centro de Esporte e Lazer da Compensa, o complexo esportivo do Santo Agostinho, o Campo do Florestão, no Tancredo Neves, e o Campo do Curió, na Cidade Nova.

Na Vila Olímpica, o projeto recebeu uma quadra de areia destinada à modalidade. A estrutura foi planejada com dimensões oficiais, com 9 metros de largura e 18 metros de comprimento, além de rede com 2,20 metros de altura.

A instalação de equipamentos específicos contribui para a formação dos alunos e cria condições para a realização de atividades recreativas, treinamentos e competições. Também ajuda a aproximar o esporte de regiões onde o acesso a arenas particulares pode ser limitado pelo custo.

Segundo informações divulgadas pelo Governo do Amazonas, a proposta estava integrada à política de esporte de base do Pelci. O programa mantém núcleos em bairros da capital e em municípios do interior, com atividades voltadas a diferentes modalidades.

Futevôlei também avança no interior

A presença do futevôlei não se limita a Manaus. Municípios do interior passaram a desenvolver ações próprias para atender crianças e jovens interessados na modalidade.

Em Autazes, a Escolinha Municipal de Futevôlei iniciou atividades em junho de 2025, com aulas gratuitas para o público masculino e feminino. As atividades foram organizadas na Arena Autazes de Futevôlei, com turmas em diferentes horários.

A iniciativa foi apresentada como uma oportunidade de acesso ao esporte e de incentivo à formação de hábitos saudáveis. A proposta também buscava criar uma rotina de treinamento para os jovens e ampliar a participação feminina na modalidade.

Outras cidades amazonenses já apareciam em projetos de esporte de base antes da criação de novas escolinhas. Em 2022, por exemplo, o Governo do Amazonas informou que o Pelci tinha polos no interior, incluindo São Gabriel da Cachoeira, Envira, Humaitá, Tabatinga e Codajás.

A expansão para fora da capital é relevante porque reduz a concentração das oportunidades esportivas em Manaus. Em um Estado com grandes distâncias entre os municípios, a existência de núcleos locais facilita a participação de crianças e adolescentes que não teriam condições de viajar para treinar.

Arena se transforma em espaço de convivência

O crescimento da modalidade também pode ser observado em arenas comunitárias e espaços privados que passaram a oferecer turmas para iniciantes.

Em Manaus, a Arena Aleixo de Futevôlei reúne atividades de treinamento e uma escolinha voltada a crianças e adolescentes. O espaço foi descrito como um ponto de encontro entre iniciantes e atletas mais experientes, combinando prática esportiva e convivência comunitária.

Esse modelo amplia as possibilidades de participação. Enquanto alguns alunos procuram o futevôlei como lazer, outros começam com o objetivo de disputar competições e seguir uma trajetória esportiva mais estruturada.

Para que essa transição ocorra de forma segura, o treinamento precisa respeitar a idade, o nível de desenvolvimento e os limites físicos de cada participante. A orientação de profissionais qualificados é importante para reduzir o risco de lesões e garantir que a atividade seja adequada ao público infantil.

Benefícios vão além da técnica

O futevôlei exige movimentos rápidos, equilíbrio, impulsão, coordenação e capacidade de antecipar a trajetória da bola. Nas crianças, o aprendizado desses fundamentos pode contribuir para o desenvolvimento de habilidades motoras e para a percepção corporal.

A modalidade também trabalha aspectos comportamentais. Como as partidas são disputadas em duplas, os participantes precisam dividir decisões, corrigir posicionamentos e lidar com erros durante o jogo.

Em projetos sociais, esses elementos são associados à criação de vínculos entre moradores e à ocupação de espaços públicos. A prática regular pode ajudar a estabelecer uma rotina para os alunos, especialmente quando as aulas são acompanhadas de orientação sobre frequência escolar, disciplina e respeito às regras.

Esses efeitos, no entanto, dependem da estrutura oferecida e da continuidade das ações. A existência de uma quadra não garante, por si só, a permanência dos estudantes. É necessário manter professores, materiais, horários regulares e mecanismos de acompanhamento dos participantes.

Participação feminina ainda é desafio

O aumento do número de meninas e adolescentes nas escolinhas é outro aspecto observado na expansão do futevôlei no Amazonas. Projetos que oferecem turmas abertas para os dois gêneros ajudam a ampliar a presença feminina e a reduzir a ideia de que a modalidade é predominantemente masculina.

A participação das meninas também depende de condições de acesso, segurança, horários compatíveis e incentivo das famílias. A formação de equipes femininas e a realização de torneios com categorias específicas podem contribuir para consolidar esse movimento.

Em 2022, o Governo do Amazonas informou que uma escolinha comunitária no bairro Santos Dumont atendia crianças e jovens em modalidades como futebol de campo, voleibol e futevôlei. O núcleo fazia parte da estrutura do Pelci e funcionava com atividades em diferentes turnos.

Da iniciação às competições

O fortalecimento das categorias de base cria uma ponte entre o primeiro contato com a modalidade e a participação em torneios. Crianças que começam em atividades recreativas podem, com o tempo, avançar para treinos técnicos e competições municipais, estaduais e nacionais.

O Amazonas já revelou atletas reconhecidos no futevôlei brasileiro. A existência de projetos voltados à base pode ampliar a renovação e oferecer aos jovens um caminho para desenvolver carreira no esporte.

O objetivo, porém, não precisa ser exclusivamente a profissionalização. Para a maioria dos alunos, o futevôlei funciona como atividade física, lazer e espaço de socialização. A formação de atletas é uma possibilidade dentro de um projeto mais amplo de acesso ao esporte.

Em 2024, o Diário Oficial do Estado publicou contrato de gestão para apoiar o projeto Mais Futevôlei Amazonas. O documento previa ações de promoção esportiva para crianças, adolescentes e adultos, além de iniciativas de inclusão social, desenvolvimento físico e integração comunitária.

O registro oficial mostra que a modalidade passou a ser tratada também como política pública esportiva. A continuidade desses programas, entretanto, depende de planejamento, recursos, manutenção das estruturas e divulgação clara dos critérios de participação.

Expansão exige continuidade

O avanço do futevôlei entre crianças e jovens indica que a modalidade encontrou espaço no cotidiano esportivo amazonense. A combinação entre futebol, areia e convivência comunitária ajuda a explicar o interesse crescente.

Para que esse movimento se mantenha, os projetos precisam garantir mais do que a inauguração de arenas. A oferta de aulas regulares, a capacitação de professores, a inclusão de meninas, a segurança dos espaços e o acompanhamento dos alunos são fatores decisivos.

Também é importante preservar o caráter educativo das escolinhas. O resultado de uma iniciativa não deve ser medido apenas pela quantidade de atletas formados, mas pela capacidade de ampliar o acesso ao esporte e criar ambientes de convivência para crianças e adolescentes.

No Amazonas, o futevôlei avança justamente por ocupar diferentes espaços: bairros de Manaus, arenas comunitárias e municípios do interior. A presença crescente da modalidade entre os mais jovens reforça a possibilidade de construir uma base esportiva mais ampla e diversificada no Estado.

Informações sobre o projeto Mais Futevôlei nos Bairros foram divulgadas pela Casa Civil do Amazonas. O contrato de gestão do projeto Mais Futevôlei Amazonas está registrado no Diário Oficial do Estado.