segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Esportes

A importância do esporte na formação de crianças e adolescentes no Amazonas

A prática esportiva tem papel relevante no desenvolvimento físico, emocional e social de crianças e adolescentes. No Amazonas, projetos públicos e iniciativas comunitárias usam modalidades como futebol, atletismo, judô, ginástica e remo para ampliar o acesso ao esporte e fortalecer a formação de jovens.

A importância do esporte na formação de crianças e adolescentes vai além do desenvolvimento físico. A prática regular de atividades esportivas pode contribuir para a saúde, a aprendizagem, a convivência social, a autoestima e a construção de hábitos que acompanham os jovens por toda a vida.

No Amazonas, onde as diferenças de acesso entre a capital e os municípios do interior ainda desafiam a oferta de políticas públicas, projetos esportivos desempenham uma função adicional: aproximam crianças e adolescentes de espaços de convivência, ampliam oportunidades e ajudam a integrar esporte, educação e proteção social.

Quando planejado de forma segura e inclusiva, o esporte não deve ser visto apenas como preparação para competições ou descoberta de talentos. Ele também pode funcionar como ferramenta de formação cidadã, desde que respeite a idade, as condições físicas, os interesses e os direitos de cada participante.

Benefícios para o corpo e para a saúde

A atividade física durante a infância e a adolescência está relacionada a ganhos importantes para o desenvolvimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o movimento regular favorece a saúde dos ossos, o crescimento muscular, a aptidão física, o desenvolvimento motor e aspectos da capacidade cognitiva. Também está associado a melhores indicadores de saúde mental e à redução do sedentarismo. (who.int)

As atividades podem incluir esportes organizados, brincadeiras, caminhadas, deslocamentos ativos, aulas de educação física e exercícios recreativos. A recomendação da OMS para pessoas de 5 a 17 anos é de uma média de pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa ao longo da semana, mas a própria organização destaca que praticar algum nível de atividade é melhor do que permanecer completamente inativo. (iris.who.int)

Na prática, isso significa que a formação esportiva não precisa começar com treinos intensos ou com a busca imediata por rendimento. Para muitas crianças, o primeiro contato pode ocorrer em uma quadra escolar, em um campo comunitário, em uma aula de dança, em uma piscina ou em uma atividade de lazer oferecida por um projeto social.

Disciplina, autonomia e responsabilidade

O esporte também cria situações em que crianças e adolescentes aprendem a lidar com regras, horários, decisões e consequências. A necessidade de comparecer aos treinos, respeitar colegas, ouvir orientações e cuidar dos equipamentos ajuda a desenvolver noções de responsabilidade e organização.

Esses aprendizados não ocorrem de maneira automática. Eles dependem da forma como professores, treinadores, familiares e instituições conduzem as atividades. Uma prática baseada apenas em cobrança e resultados pode gerar ansiedade e afastar participantes. Já uma proposta que combina orientação, incentivo e respeito tende a transformar a rotina esportiva em um espaço de aprendizagem.

A convivência com vitórias e derrotas também pode ajudar os jovens a compreender que resultados fazem parte de processos mais amplos. Aprender a persistir diante de dificuldades, reconhecer o esforço dos adversários e trabalhar em equipe são experiências que podem ser aplicadas na escola, na família e em outros ambientes sociais.

Esporte e desenvolvimento emocional

A adolescência é marcada por mudanças físicas, emocionais e sociais. Nesse período, atividades esportivas podem oferecer um ambiente de pertencimento, expressão e construção da autoestima. Relatório do UNICEF aponta que o esporte pode estimular habilidades físicas, socialização, liderança, aprendizagem ao longo da vida e desenvolvimento pessoal, especialmente quando alcança crianças em situação de maior vulnerabilidade. (unicef.org)

O efeito positivo, no entanto, depende de uma rede de apoio. O jovem precisa encontrar um ambiente protegido contra humilhações, discriminação, violência e pressões desproporcionais por desempenho. Também é importante que as atividades valorizem meninas, pessoas com deficiência e participantes com diferentes níveis de habilidade.

O incentivo à participação deve considerar o prazer e o interesse do próprio adolescente. Orientações do Ministério da Saúde destacam que a atividade escolhida deve ser compatível com a idade, o desenvolvimento, as características e as preferências de cada pessoa. A imposição de uma modalidade sem considerar esses fatores pode reduzir a motivação e transformar o esporte em obrigação. (bvsms.saude.gov.br)

Impacto na aprendizagem e na permanência escolar

A relação entre esporte e educação não se limita ao desempenho em competições escolares. A atividade física pode contribuir para funções cognitivas, atenção, memória e desempenho acadêmico, segundo diretrizes da OMS sobre o desenvolvimento de crianças e adolescentes. (iris.who.int)

Projetos que acompanham a frequência e o rendimento escolar conseguem aproximar ainda mais as duas áreas. Nesses casos, o esporte deixa de funcionar como uma atividade isolada e passa a integrar uma estratégia mais ampla de formação. O acompanhamento pode envolver professores, famílias, profissionais de educação física, equipes de saúde e serviços de assistência social.

Em Manaus, experiências municipais já relacionaram atividades esportivas a ações educacionais e ao contraturno escolar. Iniciativas como o projeto Aprender Lutando e ações de esporte na escola mostram como modalidades esportivas podem ser usadas em conjunto com objetivos pedagógicos e de formação. (manaus.am.gov.br)

O cenário do esporte de base no Amazonas

No Amazonas, programas estaduais e municipais oferecem atividades esportivas a crianças, adolescentes e jovens em diferentes modalidades. O Programa de Esporte e Lazer na Capital e Interior, conhecido como Pelci, foi criado com a proposta de fomentar o esporte de base e promover inclusão social. Conforme relatório do Governo do Estado, o programa alcançou mais de 15 mil atletas em núcleos na capital e polos no interior. (amazonas.am.gov.br)

O relatório também informa que o projeto Formando Campeões ultrapassou mil atletas atendidos e acumulou mais de 117 mil aulas em dois anos. Os números indicam a dimensão que políticas esportivas podem alcançar quando há continuidade, estrutura e oferta regular de atividades. (amazonas.am.gov.br)

Entre as modalidades oferecidas em projetos de iniciação esportiva no estado estão atletismo, futsal, ginástica, tênis de mesa, voleibol, handebol, basquetebol, judô e xadrez. A variedade é importante porque permite que crianças e adolescentes encontrem atividades compatíveis com seus interesses e características físicas, sem reduzir a formação esportiva a uma única modalidade. (amazonas.am.gov.br)

Também há iniciativas voltadas a modalidades ligadas à identidade regional e às possibilidades de uso dos espaços existentes. Em Manaus, projetos municipais já incluíram o remo entre as atividades oferecidas a estudantes, enquanto programas estaduais ampliaram ações em bairros e municípios do interior. (manaus.am.gov.br)

Desafios para ampliar o acesso

A existência de projetos não elimina os obstáculos para a prática esportiva. Distâncias entre comunidades, dificuldade de transporte, falta de equipamentos, condições climáticas, desigualdade de renda e concentração de estruturas na capital podem limitar a participação de crianças e adolescentes.

No interior do Amazonas, a logística é um fator determinante. A oferta de atividades precisa considerar as características geográficas dos municípios, a disponibilidade de profissionais qualificados, a manutenção dos espaços e a regularidade das ações. Um projeto que funciona apenas de forma pontual tem menor capacidade de produzir resultados duradouros do que uma política contínua, com acompanhamento dos participantes.

Outro desafio é garantir que o esporte seja acessível a meninas, pessoas com deficiência e jovens de diferentes territórios e condições sociais. A inclusão exige horários adequados, equipamentos, profissionais preparados e ambientes que não tolerem discriminação ou violência.

Proteção de crianças e adolescentes no esporte

A segurança deve ser parte central de qualquer programa de iniciação esportiva. No Amazonas, a Lei Estadual nº 6.573, de 21 de novembro de 2023, estabeleceu diretrizes para a iniciação esportiva e protocolos de prevenção e combate ao assédio e ao abuso infantil em clubes formadores e academias esportivas. A norma prevê medidas de proteção e a definição de canais para recebimento de denúncias, com garantia de sigilo. (legisla.imprensaoficial.am.gov.br)

Além das exigências legais, instituições esportivas devem adotar procedimentos claros para entrada e saída de alunos, contato com familiares, acompanhamento de treinos, uso de imagens e comunicação entre profissionais e participantes. Treinadores e monitores precisam saber identificar sinais de violência e conhecer os canais de encaminhamento às autoridades responsáveis pela proteção da infância.

Famílias também têm papel importante. É recomendável conhecer o projeto, verificar quem são os responsáveis pelas atividades, observar as condições do espaço e conversar com a criança ou o adolescente sobre situações que causam desconforto. A participação deve ocorrer em ambiente de confiança, sem medo de relatar problemas.

O papel da família, da escola e do poder público

A formação esportiva é mais consistente quando existe cooperação entre família, escola, comunidade e governo. Cabe aos responsáveis incentivar a participação sem transformar a criança em instrumento de realização de expectativas esportivas. À escola, compete integrar a educação física ao projeto pedagógico e reconhecer o valor formativo das atividades.

Ao poder público, cabe garantir políticas contínuas, espaços adequados, profissionais qualificados e acesso descentralizado. A integração entre esporte, educação, saúde e assistência social pode ampliar os resultados, sobretudo em áreas onde crianças e adolescentes enfrentam maior vulnerabilidade.

Programas como o Vila Aberta para Todos, lançado em 2025 na Vila Olímpica de Manaus, mostram uma tentativa de aproximar o complexo esportivo da comunidade com atividades gratuitas de esporte, lazer e convivência. A iniciativa também incluiu programação voltada a crianças e adolescentes durante o período de férias escolares. (educacao.am.gov.br)

Mais do que formar atletas

O principal resultado do esporte na infância e na adolescência não precisa ser a formação de um atleta profissional. Para a maioria dos participantes, o ganho está na construção de hábitos saudáveis, na ampliação das relações sociais, no fortalecimento da autoestima e na oportunidade de ocupar espaços de aprendizagem e convivência.

No Amazonas, ampliar o acesso ao esporte significa enfrentar desigualdades regionais e oferecer caminhos de desenvolvimento para crianças e adolescentes em diferentes municípios. Quando a prática é segura, inclusiva e articulada com a educação, ela contribui para formar jovens mais autônomos, participativos e preparados para lidar com desafios.

A importância do esporte na formação de crianças e adolescentes está justamente nessa capacidade de reunir saúde, educação, convivência e cidadania. Para que esse potencial seja aproveitado, é necessário garantir continuidade, proteção e acesso democrático, com políticas que tratem cada participante não apenas como futuro competidor, mas como sujeito de direitos.