segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Esportes

Mulheres amazonenses que se destacam no esporte: histórias de conquistas e representatividade

Conheça mulheres amazonenses que marcaram o esporte dentro e fora do estado, com participações olímpicas, títulos nacionais, medalhas internacionais e campanhas históricas.

As mulheres amazonenses ocupam espaço cada vez maior no esporte e ajudam a construir uma história marcada por conquistas nacionais, participações olímpicas e medalhas em competições internacionais. Em modalidades individuais e coletivas, atletas do estado enfrentaram limitações de estrutura, distância dos grandes centros e dificuldades para manter uma rotina de alto rendimento.

Entre os nomes de maior destaque estão a mesatenista Lígia Silva, a nadadora Daynara de Paula, a jogadora de polo aquático Lucianne Barroncas, as judocas Rita de Cássia e Maria Taba, a lutadora de MMA Ketlen Vieira e a paratleta Laiana Rodrigues. A lista também inclui representantes do boxe, do futebol feminino, do fisiculturismo e novas gerações que começam a aparecer em campeonatos nacionais.

As trajetórias são diferentes, mas têm um ponto em comum: a capacidade de representar o Amazonas em cenários de alta competitividade e ampliar a presença feminina no esporte.

Lígia Silva levou o Amazonas a três Olimpíadas

Um dos principais nomes do esporte amazonense é Lígia Silva, que disputou três edições dos Jogos Olímpicos no tênis de mesa. A atleta esteve em Sydney, em 2000, Atenas, em 2004, e Londres, em 2012.

Na primeira participação, terminou na 49ª posição na disputa individual. Em Atenas, repetiu o resultado no individual e alcançou o 25º lugar nas duplas. Seu melhor desempenho olímpico ocorreu em Londres, quando terminou na nona colocação por equipes. No individual, ficou novamente em 49º lugar.

O levantamento histórico dos atletas amazonenses nos Jogos Olímpicos aponta que Lígia Silva e Daynara de Paula são as únicas mulheres do estado com três participações olímpicas registradas. A presença da mesatenista em diferentes ciclos olímpicos ajudou a consolidar o tênis de mesa entre as modalidades de maior projeção do Amazonas. (ge.globo.com)

Daynara de Paula construiu carreira na natação

Nascida no Amazonas em 1989, Daynara de Paula deixou o estado ainda bebê, quando a família se mudou para o interior de São Paulo. Foi longe de Manaus que ela iniciou a formação esportiva e passou a competir em alto nível na natação.

Especialista em provas de velocidade, especialmente no nado borboleta, Daynara participou dos Jogos de Pequim, em 2008, Londres, em 2012, e Rio de Janeiro, em 2016. Na primeira Olimpíada, ficou em 34º lugar nos 100 metros borboleta. Em Londres, terminou em 26º nos 100 metros livre e em 33º nos 100 metros borboleta.

No Rio, alcançou o 15º lugar nos 100 metros borboleta, além da 11ª colocação no revezamento 4×100 metros livre e da 13ª posição no revezamento 4×100 metros medley. A nadadora também acumulou medalhas em Jogos Pan-Americanos e resultados expressivos em competições internacionais. (ge.globo.com)

Lucianne Barroncas fez história no polo aquático

Lucianne Barroncas foi a primeira mulher amazonense a disputar uma edição dos Jogos Olímpicos em uma modalidade coletiva, segundo registros históricos sobre a participação do estado no evento. Ela integrou a seleção brasileira de polo aquático nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, encerrando a competição na oitava posição.

A atleta começou no handebol e depois passou pela natação. Lesões interromperam parte da trajetória inicial, mas Lucianne retornou às piscinas anos mais tarde e encontrou no polo aquático uma nova possibilidade de carreira. Ela passou a defender equipes nacionais e chegou à seleção brasileira.

Antes da Olimpíada, conquistou a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015, e participou de campanhas vitoriosas do Brasil em competições sul-americanas. A história de Lucianne também mostra como a mudança de modalidade pode ser decisiva para a continuidade de uma carreira esportiva. (ge.globo.com)

Judô amazonense revelou Rita de Cássia e Maria Taba

O judô é uma das modalidades que mais projetaram atletas amazonenses no cenário nacional. Entre as mulheres, Rita de Cássia Reis ganhou destaque ao conquistar a medalha de bronze no Campeonato Mundial de Abu Dhabi, em 2015. O resultado foi apontado como a primeira medalha brasileira naquela edição do torneio.

Na competição, a judoca venceu a turca Melisa Cakmakli na estreia. Depois de perder nas quartas de final, avançou pela repescagem e garantiu a medalha de bronze. O desempenho ampliou a visibilidade do judô feminino do Amazonas e colocou Rita entre as principais atletas da modalidade no estado naquele período.

Maria Taba também se destacou nas categorias de base e em competições nacionais. Em 2016, foi campeã sul-americana e brasileira, resultados que contribuíram para sua convocação para a seleção brasileira. Naquele mesmo período, passou a disputar torneios internacionais e a realizar treinamentos fora do país.

Outro nome importante é Rafaela Barbosa, que competiu na categoria sênior até 57 quilos e também atuou na formação de novos judocas. A atleta conciliou a carreira nos tatames com a faculdade de Direito e o trabalho em um projeto social mantido pela família em Manaus. (ge.globo.com)

A renovação da modalidade continuou com Ana Paula Sena. Em junho de 2024, a amazonense conquistou o Campeonato Brasileiro Sub-18 na categoria até 40 quilos. Revelada por um projeto social, ela venceu três lutas na competição realizada no Rio de Janeiro e somou pontos no ranking juvenil da Confederação Brasileira de Judô. (ge.globo.com)

Ketlen Vieira abriu caminho no MMA

No MMA, Ketlen Vieira se tornou uma das principais referências femininas do Amazonas. Natural do estado, a lutadora iniciou a formação esportiva no judô e depois migrou para as artes marciais mistas.

Ketlen foi a primeira mulher amazonense a lutar no UFC. A estreia ocorreu em outubro de 2016, com vitória sobre a norte-americana Kelly Faszholz por decisão dividida. A presença da atleta na principal organização do esporte ajudou a ampliar a visibilidade das lutadoras do estado e abriu espaço para novas representantes da região.

Antes de chegar ao MMA profissional, Ketlen acumulou experiência em outras modalidades de combate, incluindo o judô e a luta livre olímpica. A combinação entre formação técnica, preparação física e experiência competitiva foi importante para sua transição ao octógono.

O Amazonas também revelou outras lutadoras de destaque no cenário nacional. Ketlen Souza, conhecida como “Esquentadinha”, conquistou o cinturão peso-mosca do Invicta FC e foi apresentada como a primeira amazonense a conquistar um título mundial de MMA. (ge.globo.com)

Boxe feminino ganhou força com Sandra Ramos

O boxe feminino amazonense também tem representantes com resultados nacionais. Sandra Ramos, nascida em Santo Antônio do Içá, no interior do estado, conquistou o Campeonato Brasileiro de Boxe Olímpico em 2015, na categoria até 48 quilos.

Na final, a atleta venceu a paraense Swammy de Jesus por 2 a 1. Foi a terceira participação de Sandra no campeonato nacional. Antes do título, ela havia conquistado uma medalha de bronze em 2013 e uma de prata em 2014.

O resultado foi relevante para o boxe feminino do Amazonas, que ainda buscava maior estrutura e reconhecimento. A própria atleta afirmou, na época, que a conquista representava uma marca inédita em sua carreira e passou a mirar a classificação para os Jogos Olímpicos de 2016.

A trajetória de Sandra também chama atenção pela origem no interior do estado. A conquista mostrou que o alto rendimento não está restrito à capital e que atletas de municípios distantes podem alcançar competições nacionais quando encontram apoio técnico e condições de treinamento. (ge.globo.com)

Laiana Rodrigues representa o esporte paralímpico

Laiana Rodrigues levou o nome do Amazonas ao pódio paralímpico no vôlei sentado. Ela conquistou a medalha de bronze com a seleção brasileira nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

A atleta praticava vôlei desde a infância e chegou a jogar entre os 14 e os 18 anos. A carreira foi interrompida depois de um quadro de dengue hemorrágica e da Síndrome de Guillain-Barré, doença que deixou sequelas na perna direita.

Em 2014, Laiana conheceu o vôlei sentado durante uma capacitação realizada em Manaus. Depois de passar por testes, começou a treinar com a seleção brasileira e foi convocada para competições internacionais. Dois anos mais tarde, integrou a equipe que terminou a Paralimpíada do Rio com a medalha de bronze.

O caso evidencia a importância do esporte paralímpico como espaço de retomada profissional, inclusão e alto rendimento. Também mostra como iniciativas de formação podem identificar atletas fora dos circuitos tradicionais. (ge.globo.com)

Futebol feminino teve um marco com o Iranduba

No futebol, o Iranduba da Amazônia foi um dos principais símbolos da expansão da modalidade no estado. O clube fundou a equipe feminina em 2011 e passou a disputar campeonatos brasileiros e a Copa do Brasil.

Em 2016, o time alcançou a segunda fase do Campeonato Brasileiro pela primeira vez. No mesmo ano, a Arena da Amazônia recebeu 17.322 torcedores na final da Liga Sub-20 entre Iranduba e Adeco, de São Paulo. O público se tornou, naquele momento, um recorde nacional em competições da categoria.

O clube também teve campanhas relevantes em torneios nacionais e internacionais. Em 2017, o Iranduba chegou à semifinal do Campeonato Brasileiro e terminou em terceiro lugar na Copa Libertadores Feminina. Jogadoras como Sinara fizeram parte desse período e depois seguiram carreira em outros clubes do país.

A trajetória do Iranduba ajudou a revelar atletas, ampliar a visibilidade do futebol feminino e mostrar a capacidade de mobilização do público amazonense. Embora os resultados de uma equipe não pertençam a uma única jogadora, a campanha foi construída pelo trabalho coletivo de atletas, comissão técnica e profissionais de apoio. (ge.globo.com)

Representatividade ultrapassa os resultados

As histórias das mulheres amazonenses no esporte não se resumem às medalhas ou às classificações. Elas também revelam os obstáculos enfrentados por atletas que precisam deixar o estado cedo, buscar treinamento em outras regiões, conciliar estudos e trabalho ou superar lesões e problemas de saúde.

Daynara de Paula e Lucianne Barroncas, por exemplo, construíram parte importante da carreira fora do Amazonas, mas continuam reconhecidas como amazonenses por nascimento. Lígia Silva permaneceu por mais de uma década entre as representantes do estado em competições olímpicas. Laiana Rodrigues mostrou a força do esporte paralímpico, enquanto Rita de Cássia, Maria Taba, Ana Paula Sena e Sandra Ramos evidenciaram a presença feminina nas lutas.

No futebol, a experiência do Iranduba contribuiu para formar uma geração de jogadoras e aproximar o público da modalidade. No MMA, Ketlen Vieira abriu uma porta que outras atletas passaram a enxergar como possível.

O conjunto dessas trajetórias indica que o esporte feminino do Amazonas tem tradição, diversidade e capacidade de renovação. Para que novas atletas cheguem ao alto rendimento, porém, continuam sendo necessários investimentos em iniciação esportiva, competições regulares, profissionais qualificados, equipamentos e políticas de apoio.

Ao registrar essas histórias, o estado preserva a memória de suas representantes e reforça uma mensagem para as novas gerações: as mulheres amazonenses podem competir em qualquer modalidade, em diferentes níveis e nos maiores palcos esportivos do país e do mundo.