Câmara realiza audiência para discutir Atlas Mundial da Obesidade 2026 e efeitos fiscais sobre consumo e saúde

Audiência pública na Comissão de Direitos Humanos analisa dados do Atlas e propostas fiscais para reduzir riscos à saúde.

A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados promove audiência pública nesta quarta-feira (3) para discutir os dados do Atlas Mundial da Obesidade 2026 e as implicações para políticas públicas de saúde e para a definição das alíquotas do Imposto Seletivo incidente sobre produtos prejudiciais à saúde. O debate foi proposto pelo deputado Padre João (PT-MG) e será realizado às 16 horas, no plenário 9.

Crescimento da obesidade e consumo de bebidas

Segundo o parlamentar, a obesidade é um dos maiores desafios de saúde pública no mundo. Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2026, apresentado em março, apontam crescimento expressivo da prevalência de excesso de peso e obesidade em diversos países, incluindo o Brasil. O relatório indica impactos sobre os sistemas de saúde, a qualidade de vida da população e a produtividade econômica.

Entre os fatores associados a esse cenário, o deputado informa que se destaca o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e de refrigerantes e bebidas açucaradas, produtos caracterizados por elevado teor de açúcares adicionados, gorduras e sódio, e associados ao aumento do risco de obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e outras doenças crônicas não transmissíveis.

O Atlas apresenta o consumo de bebidas açucaradas como um dos riscos evitáveis que aumentam a probabilidade de obesidade infantil. Em 134 países, entre eles o Brasil, crianças de 6 a 10 anos consomem, em média, mais de 100 ml de bebidas açucaradas por dia.

Medidas públicas e tributação seletiva

O deputado ressalta que organismos internacionais e evidências científicas apontam para a importância de políticas públicas integradas que incluam medidas regulatórias, informacionais e fiscais voltadas à promoção de ambientes alimentares mais saudáveis.

Entre essas medidas, destaca-se a adoção de tributação seletiva sobre produtos prejudiciais à saúde, com o objetivo de desestimular o consumo e contribuir para a redução de fatores de risco associados a doenças crônicas. “No Brasil, a recente reforma do sistema tributário instituiu o Imposto Seletivo, concebido como instrumento para incidir sobre bens e serviços prejudiciais à saúde e ao meio ambiente”, lembra Padre João. “A definição de suas alíquotas e critérios de incidência representa, portanto, oportunidade relevante para alinhar a política fiscal às evidências científicas e às estratégias de promoção da saúde”, defende.

Da Redação – MB

01/06/2026 – 13:04

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Publicado em: 01/06/2026 às 12:04
Categoria(s): Política Nacional