As doenças transmitidas pela água no Amazonas podem aumentar quando chuvas intensas, cheias e alagações comprometem a qualidade da água usada para beber, cozinhar, lavar alimentos ou realizar a higiene pessoal. A mistura de água de enchente com lixo, esgoto e outros contaminantes favorece a circulação de microrganismos que podem causar diarreia, vômitos, febre, hepatite A e outras infecções.
A prevenção depende de medidas simples, mas que precisam ser seguidas corretamente: tratar a água antes do consumo, armazená-la em recipientes limpos e fechados, lavar as mãos, higienizar frutas e verduras, evitar o contato com água de enchente e procurar atendimento diante de sinais de desidratação ou agravamento. A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas reforça esses cuidados durante o período de chuvas e elevação dos níveis dos rios. (fvs.am.gov.br)
Quais doenças podem ser relacionadas à água contaminada?
As doenças diarreicas agudas estão entre os problemas mais comuns associados ao consumo de água ou alimentos contaminados. Elas podem ser provocadas por bactérias, vírus e parasitas e costumam causar três ou mais episódios de diarreia em 24 horas, com possibilidade de náusea, vômito, dor abdominal e febre.
Também podem ocorrer doenças como hepatite A, que é causada por um vírus eliminado nas fezes e pode ser transmitido quando a pessoa ingere água ou alimentos contaminados. Em locais com circulação do vírus, enchentes e inundações podem aumentar o risco, principalmente quando há falhas no abastecimento de água potável e no saneamento. (gov.br)
A leptospirose exige atenção especial durante as cheias. A doença é causada por bactérias presentes na urina de animais infectados, principalmente ratos. O contato da pele ou de mucosas com água e lama contaminadas pode levar à infecção, sobretudo quando existem cortes ou ferimentos. Por isso, a leptospirose não é apenas um problema de ingestão de água: o contato com a água de enchente também representa risco. (fvs.am.gov.br)
Como tratar a água para beber
Quando não houver segurança sobre a qualidade da água, ela deve ser filtrada e tratada antes do consumo. A orientação do Ministério da Saúde é utilizar filtro doméstico, coador de papel ou pano limpo para retirar partículas visíveis. Depois, a água pode ser fervida ou desinfetada com solução de hipoclorito de sódio a 2,5%, conforme a disponibilidade e as instruções oficiais.
Para tratar um litro de água com hipoclorito de sódio a 2,5%, devem ser adicionadas duas gotas do produto. Misture bem e aguarde 30 minutos antes de beber ou usar a água no preparo de alimentos. Para dez litros, são necessárias 20 gotas. A água tratada deve ser mantida em recipiente limpo, com tampa e, de preferência, com abertura estreita para reduzir o risco de nova contaminação. (gov.br)
O hipoclorito precisa ter concentração de 2,5% e ser próprio para esse uso. Não devem ser usados produtos perfumados, com alvejante ou com outras substâncias na composição. A solução deve ficar protegida da luz e do calor e ser utilizada somente conforme a orientação da embalagem ou da autoridade de saúde.
Quando possível, a água também pode ser fervida. Após atingir a fervura, mantenha o aquecimento pelo tempo indicado pelas autoridades de saúde locais e armazene o líquido depois que ele esfriar, sempre em recipiente limpo e tampado. Em caso de dúvida sobre o produto ou sobre a origem da água, procure a Secretaria Municipal de Saúde ou a unidade básica de saúde do município.
Cuidados com a água armazenada
O tratamento não elimina o risco se a água voltar a ser contaminada durante o armazenamento. Os recipientes devem ser lavados antes do uso, permanecer tampados e ser manipulados com as mãos limpas. Evite retirar a água com copos, canecas ou outros objetos que possam estar sujos. Sempre que possível, utilize recipientes com torneira ou faça a retirada sem colocar as mãos dentro do reservatório.
Caixas-d’água, tambores, baldes e outros reservatórios precisam permanecer protegidos contra poeira, insetos, animais e contato com água de enchente. Se o recipiente tiver sido atingido por água contaminada, ele deve ser esvaziado, limpo e desinfetado antes de voltar a ser usado. A água que entrou em contato com enchente, esgoto ou lama não deve ser consumida sem avaliação e tratamento adequado.
Durante períodos de interrupção ou alteração no abastecimento, acompanhe as orientações da prefeitura, da concessionária de água e das autoridades de saúde. A aparência transparente não garante que a água esteja livre de microrganismos.
Higiene dos alimentos reduz o risco
Frutas, verduras e legumes devem ser lavados em água potável antes do consumo. Os alimentos que serão ingeridos crus precisam ser higienizados conforme a orientação do rótulo do produto utilizado ou das autoridades sanitárias. O hipoclorito destinado ao tratamento da água não deve ser usado de forma diferente da indicada na embalagem.
Carnes, peixes, ovos e frutos do mar devem ser bem cozidos. Evite alimentos crus ou malpassados, especialmente quando a procedência, o armazenamento ou as condições de preparo forem desconhecidos. Leite e derivados devem ser pasteurizados ou submetidos ao tratamento recomendado.
Também é importante lavar as mãos antes de preparar ou consumir alimentos, depois de usar o banheiro, trocar fraldas, tocar em animais, voltar da rua ou entrar em contato com superfícies potencialmente contaminadas. Bancadas, utensílios e recipientes devem ser lavados com água e sabão e protegidos de insetos e animais.
Alimentos que tiveram contato com água de enchente, lama ou esgoto devem ser descartados, mesmo que estejam dentro de embalagens. A contaminação pode não ser visível e não deve ser removida apenas com uma lavagem externa.
Como se proteger durante cheias e alagações
Evite entrar em água de enchente sempre que possível. Quando o contato for inevitável, use botas e luvas impermeáveis e cubra ferimentos com curativos resistentes à água. Não permita que crianças brinquem em áreas alagadas, pois elas podem ingerir água contaminada ou entrar em contato com lama sem perceber.
Depois do contato com água de enchente, lave o corpo com água limpa e sabão. Roupas, calçados e objetos atingidos devem ser higienizados ou descartados quando não houver possibilidade de limpeza segura. A limpeza de ambientes alagados deve ser feita com proteção adequada e, em caso de grande contaminação, com orientação dos serviços municipais.
Também não consuma água de rios, igarapés, lagos, cacimbas ou poços sem tratamento. Se essas fontes tiverem sido atingidas por esgoto, enchente ou resíduos, não devem ser usadas para beber, cozinhar ou tomar banho até que a autoridade de saúde confirme condições de segurança. (gov.br)
Sinais de alerta e quando procurar atendimento
As doenças diarreicas podem causar desidratação, principalmente em crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas. Os sinais incluem muita sede, boca seca, fraqueza, tontura, olhos fundos, pouca urina, sonolência ou irritabilidade.
Procure uma unidade de saúde se houver sangue nas fezes, vômitos repetidos, febre persistente, dor intensa, redução importante da urina, recusa de líquidos ou piora do estado geral. Crianças e idosos com diarreia devem ser avaliados com atenção, porque podem evoluir rapidamente para quadros graves.
Em caso de diarreia, a pessoa deve receber líquidos e, quando indicado, solução de reidratação oral. A alimentação habitual e o aleitamento materno devem ser mantidos, salvo orientação diferente de um profissional de saúde. Não use antibióticos, antidiarreicos ou outras medicações por conta própria.
Após contato com água de enchente, procure atendimento se surgirem febre, dor de cabeça, dor muscular intensa, especialmente nas panturrilhas, olhos avermelhados, vômitos, icterícia ou redução da urina. Esses sintomas podem estar relacionados à leptospirose ou a outras infecções e precisam de avaliação profissional.
Onde buscar orientação no Amazonas
A população pode procurar a unidade básica de saúde, a Secretaria Municipal de Saúde ou a Vigilância Sanitária e Ambiental do município para receber orientações sobre a qualidade da água, distribuição de hipoclorito e cuidados durante emergências. A FVS-RCP informa que o hipoclorito de sódio a 2,5% é distribuído às secretarias municipais de Saúde para ações preventivas em comunidades sem acesso regular à água potável. (fvs.am.gov.br)
Em situações de cheia, alagamento ou alteração no abastecimento, siga os comunicados oficiais e evite compartilhar informações sem confirmação. A prevenção depende tanto de atitudes dentro de casa quanto das ações de saneamento, vigilância e assistência realizadas pelos municípios.
Checklist de prevenção
- Trate a água antes de beber, cozinhar ou preparar alimentos.
- Use somente hipoclorito de sódio a 2,5% indicado para esse fim.
- Adicione duas gotas por litro e aguarde 30 minutos antes do consumo.
- Armazene a água em recipiente limpo, tampado e protegido do calor.
- Lave as mãos com água e sabão nos momentos recomendados.
- Higienize frutas, verduras, utensílios e superfícies de preparo.
- Evite alimentos crus, malcozidos ou que tenham tido contato com enchentes.
- Não entre em água de alagamento sem proteção adequada.
- Procure atendimento diante de sinais de desidratação ou sintomas após contato com água contaminada.
Com tratamento correto da água, higiene dos alimentos e atenção durante as cheias, é possível reduzir o risco de doenças transmitidas pela água no Amazonas e proteger principalmente crianças, idosos e pessoas mais vulneráveis.