O Amazonas ampliou as ações de incentivo ao esporte entre crianças, adolescentes e jovens nos últimos anos, com a expansão de atividades gratuitas, a abertura de novos espaços e a criação de políticas voltadas à inclusão social. Em 2025, o Programa Esporte e Lazer na Capital e Interior (Pelci) registrou mais de 325 mil atendimentos em atividades esportivas realizadas na capital e em municípios do interior.
As iniciativas incluem modalidades como futsal, vôlei, basquete, handebol, atletismo, xadrez, judô, tênis de mesa, natação, futebol de campo, jiu-jítsu e kart. A proposta é ampliar o acesso ao esporte de base, estimular hábitos saudáveis e oferecer oportunidades de convivência, formação e descoberta de talentos.
O balanço foi divulgado em janeiro de 2026 em informações sobre as ações do governo estadual na área esportiva. A expansão do Pelci ocorreu paralelamente a obras de construção, reforma e adequação de quadras, campos e arenas esportivas. Dados divulgados sobre o programa apontam que as atividades alcançaram crianças e jovens por meio de aulas, treinos e ações regulares.
Pelci amplia atividades na capital e no interior
Lançado em 2022, o Programa Esporte e Lazer na Capital e Interior foi estruturado para democratizar o acesso à prática esportiva. A política pública atende diferentes faixas etárias e utiliza núcleos esportivos instalados em bairros de Manaus e polos em municípios do interior.
O programa combina aulas de iniciação esportiva, treinamentos e atividades recreativas. A oferta de modalidades variadas permite que os participantes tenham contato tanto com esportes coletivos quanto com práticas individuais. A estratégia também busca reduzir a dependência de estruturas particulares, que nem sempre estão disponíveis para famílias de baixa renda.
O relatório de atividades do governo estadual informa que o Pelci chegou a mais de 15 mil atletas em 64 núcleos na capital e em dez polos no interior em uma etapa anterior de expansão. O documento também registra a criação de ações complementares, como o Mais Futevôlei e atividades destinadas à identificação de novos talentos.
Uma análise acadêmica publicada na Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde avaliou documentos do programa produzidos entre 2021 e 2025. O estudo descreveu o crescimento do Pelci e apontou que a política busca atender crianças, adolescentes e jovens com modalidades olímpicas e não olímpicas. O estudo sobre o Pelci também identificou desafios relacionados à continuidade, ao acompanhamento das atividades e à produção de informações sobre os resultados do programa.
Esporte como instrumento de inclusão social
Além da prática física, as ações estaduais tratam o esporte como ferramenta de inclusão social. A oferta de atividades em comunidades, escolas e espaços públicos pode contribuir para ampliar a convivência entre os participantes, fortalecer vínculos e criar alternativas de ocupação para o tempo livre.
Essa dimensão foi incorporada de forma mais específica pela Lei nº 7.788, sancionada em 18 de setembro de 2025. A norma estabeleceu diretrizes para uma política estadual de incentivo ao esporte destinada a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
De acordo com a legislação, devem ser priorizadas vagas em projetos esportivos para esse público. A lei também prevê campanhas, palestras e eventos de conscientização em escolas públicas, além de parcerias com instituições de ensino superior, escolas de educação física e organizações da sociedade civil.
A legislação permite ainda que entidades que desenvolvam projetos esportivos para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade apresentem propostas para avaliação de eventual apoio financeiro e técnico do Poder Executivo. A norma, no entanto, estabelece diretrizes gerais e não detalha, por si só, o número de vagas, o cronograma de execução ou os valores destinados a cada projeto. A íntegra da Lei nº 7.788 está disponível no Diário Oficial do Estado.
Novos espaços sustentam expansão
A ampliação dos programas esportivos depende também da existência de locais adequados para as atividades. No Amazonas, órgãos estaduais vêm executando obras em campos, quadras, arenas e estruturas de lazer utilizadas por projetos públicos.
Segundo informações divulgadas sobre a política de infraestrutura esportiva, foram construídas ou revitalizadas 72 estruturas na capital e no interior, com investimentos estimados em R$ 85 milhões. As intervenções envolveram órgãos como a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano, a Unidade Gestora de Projetos Especiais e a Secretaria de Estado de Infraestrutura.
A lógica é integrar obras físicas e programas sociais. Uma quadra reformada, por exemplo, pode receber aulas regulares, competições escolares, atividades comunitárias e ações de iniciação esportiva. A ocupação contínua tende a ampliar o uso dos equipamentos e aproximar os serviços públicos das comunidades.
Entre as iniciativas de uso aberto está o projeto Vila Aberta para Todos, realizado na Vila Olímpica de Manaus aos domingos, com programação gratuita voltada ao esporte, ao lazer e à convivência social. A ação complementa os núcleos regulares do Pelci e oferece uma alternativa de acesso para pessoas que não participam de treinamentos formais.
Esporte escolar ganha regras específicas
Outra frente de incentivo envolve estudantes que participam de competições oficiais. A Lei nº 6.747, de 10 de janeiro de 2024, estabeleceu direitos para alunos da rede estadual que praticam desporto escolar em modalidades olímpicas e paralímpicas, individuais ou coletivas.
A legislação considera atletas ou futuros atletas os estudantes de 14 a 17 anos matriculados no sistema estadual de ensino. Para participar de competições oficiais, o aluno deve apresentar declaração dos responsáveis e da entidade esportiva à qual está vinculado. A escola também precisa ser informada com antecedência sobre a participação em eventos esportivos.
Entre as ações previstas estão campanhas de conscientização, arrecadação de recursos para o desenvolvimento de eventos esportivos e incentivo à participação de atletas e paratletas em atividades escolares. A lei também menciona a possibilidade de fornecimento de órteses e próteses para estudantes com deficiência física e baixa renda interessados no esporte paralímpico.
O objetivo é reduzir conflitos entre a rotina escolar e a agenda de competições. Para estudantes que treinam e participam de eventos fora de sua cidade, a previsibilidade de procedimentos pode ajudar na organização das atividades acadêmicas e esportivas.
Apoio à formação e ao alto rendimento
O incentivo ao esporte de base é acompanhado por programas de apoio a atletas que avançam para níveis competitivos mais elevados. O Bolsa Esporte Estadual foi criado para patrocinar atletas e paratletas de base e de alto rendimento no Amazonas.
Conforme o relatório de atividades do governo estadual, os valores anunciados para o benefício variam de R$ 400 a R$ 3 mil mensais. A iniciativa busca contribuir para despesas relacionadas à preparação esportiva, participação em competições e continuidade da carreira.
O governo também informou investimentos em projetos de formação, como o Formando Campeões, e em ações de apoio a atletas pré-olímpicos. Essas medidas complementam o trabalho realizado nos núcleos de iniciação, criando uma possível trajetória entre a participação comunitária, o esporte escolar e o rendimento.
A existência de programas de bolsa, porém, não substitui a necessidade de estrutura permanente, profissionais qualificados, transporte, equipamentos e acompanhamento dos participantes. A continuidade das ações depende de planejamento, recursos orçamentários e transparência sobre critérios de seleção e resultados.
Desafios para manter a política esportiva
A ampliação do atendimento representa avanço no acesso ao esporte, mas os números de participação precisam ser acompanhados por informações sobre frequência, permanência e perfil dos beneficiários. Também é importante diferenciar o número de pessoas cadastradas do total de atendimentos realizados, já que um mesmo participante pode frequentar várias atividades ao longo do ano.
Outro desafio é garantir a distribuição equilibrada das ações entre Manaus e os municípios do interior. As distâncias, a logística de transporte e as diferenças na disponibilidade de profissionais e equipamentos podem dificultar a manutenção de atividades regulares em determinadas regiões.
A legislação aprovada em 2025 reforça a necessidade de priorizar crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, mas a execução prática dependerá da regulamentação, da seleção dos projetos e da definição de mecanismos de acompanhamento. O material público consultado não detalha um cronograma único para a implementação de todas as medidas previstas.
Também será necessário avaliar a permanência dos jovens nos programas, a participação de meninas, pessoas com deficiência e comunidades em áreas com menor oferta de serviços. Indicadores desse tipo ajudam a medir se a expansão está alcançando os grupos que mais precisam de políticas públicas.
Impacto esperado para crianças e jovens
Ao combinar aulas gratuitas, espaços revitalizados, apoio a atletas e medidas voltadas ao esporte escolar, o Amazonas constrói uma política com diferentes portas de entrada. A criança pode iniciar em uma atividade recreativa, seguir para um núcleo de treinamento e, conforme seu interesse e desempenho, participar de competições escolares ou de programas de rendimento.
Para os jovens, os projetos também podem representar uma oportunidade de qualificação, convivência comunitária e desenvolvimento de disciplina. O alcance dessas metas, contudo, depende da regularidade das aulas, da segurança dos espaços, da formação dos profissionais e da capacidade de manter as ações ao longo do tempo.
O avanço registrado em 2025 mostra que o esporte passou a ocupar espaço relevante na agenda estadual de inclusão e lazer. A próxima etapa será consolidar a expansão, ampliar a transparência dos dados e garantir que as atividades cheguem de forma contínua às crianças e aos jovens dos diferentes municípios do Amazonas.




