segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Política

Plano estadual reúne mais de 200 colaboradores e organiza agenda para o Amazonas

O Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas foi elaborado por equipes multidisciplinares e apresentado por Omar Aziz como base de seu projeto de governo. O material reúne diagnósticos, metas e propostas para diferentes áreas da administração estadual.
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O Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas reúne diagnósticos, metas e propostas para diferentes áreas da administração estadual. Coordenado pelo empresário, publicitário e pesquisador Durango Duarte, o trabalho foi apresentado pelo governador eleito Omar Aziz (PSD) como uma das bases de seu projeto de governo.

Organizado em três volumes, o documento soma aproximadamente 1.742 páginas e contou com a participação de pesquisadores, professores, economistas, especialistas em políticas públicas, profissionais da administração, entidades de classe, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e representantes do setor produtivo.

A proposta é formar uma agenda de desenvolvimento que ultrapasse o período de um mandato. Para isso, o planejamento relaciona problemas identificados no estado a estratégias de execução, indicadores e metas, além de prever mecanismos de acompanhamento dos resultados.

Três volumes dividem os principais desafios do estado

O primeiro volume trata das condições fiscais do Amazonas, dos efeitos da Reforma Tributária, da infraestrutura, da logística e da diversificação da economia. O material também apresenta diretrizes para o fortalecimento da Zona Franca de Manaus e para a ampliação das atividades produtivas no interior.

Entre os setores citados estão a bioeconomia, o turismo, a piscicultura, a fruticultura, a ciência e a tecnologia. O planejamento parte da necessidade de ampliar a capacidade de investimento do estado e reduzir as desigualdades econômicas entre Manaus e os municípios do interior.

O segundo volume concentra propostas para saúde, segurança pública e assistência social. Na saúde, o plano prevê a regionalização do atendimento, a ampliação da telessaúde nos 62 municípios, o fortalecimento dos polos regionais e o uso de barcos-hospitais e equipes itinerantes.

Para a segurança pública, o documento propõe a modernização do Ronda no Bairro e a expansão do modelo por meio do Ronda nos Municípios, Ronda nos Rios, Ronda Social e Ronda Digital.

Na assistência social, o programa Amazonas Forte Social é apresentado como uma iniciativa para fortalecer a rede de proteção às famílias vulneráveis e ampliar oportunidades de autonomia econômica.

O terceiro volume aborda educação, cultura, habitação, meio ambiente, políticas indigenistas, ciência, tecnologia e inovação. Entre as medidas estão o Pacto Estadual de Alfabetização, o fortalecimento do ensino médio, a ampliação da educação profissional e tecnológica e a modernização dos serviços públicos por meio do programa Amazonas Digital e Inovador.

O documento também inclui propostas para fortalecer a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), além de políticas de valorização cultural e proteção dos povos indígenas.

Participação de equipes multidisciplinares

Durango Duarte ficou responsável por articular as equipes encarregadas das áreas temáticas do plano. O segundo volume registra a participação direta de mais de 200 colaboradores, enquanto o terceiro menciona mais de uma centena de participantes.

A construção do material envolveu profissionais de diferentes especialidades e contribuições de instituições e setores da sociedade. A organização dos estudos procurou aproximar os diagnósticos das soluções propostas e dos instrumentos necessários para sua implementação.

O planejamento também incorpora temas como inteligência artificial, transformação digital, mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e modernização da administração pública. A intenção declarada é que as políticas sejam acompanhadas por indicadores, metas e instrumentos de avaliação.

Outra diretriz apresentada é a continuidade das ações. O plano busca estruturar iniciativas que possam permanecer em funcionamento mesmo com mudanças de governo, embora a execução dependa de prioridades administrativas, disponibilidade orçamentária e capacidade dos órgãos estaduais.

Trajetória entre pesquisa, comunicação e gestão

A coordenação do plano está ligada à experiência de Durango Duarte em pesquisas, comunicação, consultoria e gestão de projetos. Nascido em 11 de novembro de 1963, em Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, ele chegou a Manaus em 1975, ainda na adolescência, e construiu na capital amazonense a maior parte de sua trajetória profissional e empresarial.

Sua formação inclui estudos em Engenharia, Matemática e Jornalismo na antiga Universidade do Amazonas, atual Universidade Federal do Amazonas (Ufam), além de graduação em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, pelo Centro Universitário do Norte (Uninorte).

Durango também fez especializações em marketing, políticas públicas, governo, inovação e transformação digital. A aproximação com a política ocorreu durante o movimento estudantil, na década de 1980, período em que participou de mobilizações pela redemocratização do país e de atividades de representação universitária.

A relação profissional com Omar Aziz começou nesse ambiente. Em 1988, Durango foi convidado por Aziz para assumir a direção executiva da Fundação de Apoio e Desenvolvimento Comunitário (Fundac). No mesmo ano, participou da primeira campanha eleitoral de Omar para a Câmara Municipal de Manaus.

Entre 1989 e 1990, atuou como consultor do então prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto. Mais tarde, desenvolveu trabalhos associados a gestões estaduais de Amazonino Mendes, Eduardo Braga, Omar Aziz e Wilson Lima, além de administrações municipais.

Nessas atividades, participou de estudos, estratégias e projetos relacionados à comunicação institucional, ao planejamento governamental e às políticas públicas. Sua trajetória profissional também é associada a iniciativas como Ronda no Bairro, Amazonas Digital, Viver Melhor, Cidade Universitária e Bolsa Universidade.

Empresa de pesquisas foi criada em 1993

Um dos marcos da atuação empresarial de Durango ocorreu em 13 de julho de 1993, com a fundação da Perspectiva Tecnologia da Informação, que posteriormente passou a atuar sob a marca Perspectiva Mercado e Opinião.

A empresa realizou pesquisas eleitorais, estudos de mercado, levantamentos de opinião pública e análises sobre o comportamento dos consumidores. A experiência de Durango no setor havia começado em 1990, em trabalhos desenvolvidos com professores do Departamento de Estatística da Universidade do Amazonas.

Naquele período, participou de iniciativas de acompanhamento e apuração eleitoral paralela, quando os recursos tecnológicos eram mais limitados e a totalização oficial dos resultados podia levar vários dias.

Segundo informações de sua trajetória profissional, a Perspectiva desenvolveu mais de mil projetos de pesquisa, enquanto Durango acompanhou 22 eleições desde 1982. Ele também criou o Top of Mind, levantamento voltado à identificação das marcas e produtos mais lembrados pelos consumidores de Manaus.

A atuação no mercado de pesquisas consolidou sua experiência na interpretação de indicadores, na identificação de tendências e no uso de informações para orientar decisões estratégicas.

Atuação empresarial incluiu comunicação e tecnologia

Ao longo dos anos, Durango ampliou suas atividades para outros segmentos. Em 2009, fundou a The Voice, empresa voltada à publicidade em painéis eletrônicos de LED. Em 2019, criou a iMarketing, com serviços de comunicação digital, marketing, pesquisas e monitoramento de informações.

Em 2021, fundou a Red Agency, voltada ao setor publicitário, e estruturou a DMD Holding para organizar suas atividades e participações empresariais.

Essa diversificação reuniu experiências em gestão de equipes, desenvolvimento de projetos, inovação tecnológica e planejamento empresarial. Esses elementos também estão presentes na coordenação de um trabalho que envolveu profissionais de diferentes áreas do conhecimento.

Instituto preserva documentos sobre a história do Amazonas

Além das empresas e das atividades de consultoria, Durango Duarte desenvolveu uma atuação ligada à preservação da memória histórica. Em 2015, fundou o Instituto Durango Duarte (IDD), organização sem fins lucrativos dedicada à pesquisa, documentação e preservação de registros históricos.

Inaugurado oficialmente em abril de 2016, o instituto reúne jornais, fotografias, documentos e outras fontes relacionadas à história de Manaus, do Amazonas e do Brasil.

Durango também participou da publicação de obras sobre política, cultura, comunicação e história regional. Entre os trabalhos estão Informação é Tudo, de 2005; Manaus, entre o Passado e o Presente, de 2009; Imprensa Amazonense, de 2015; e Manaus 350 Anos, publicado em 2020.

Ele também participou de publicações sobre a história da Zona Franca de Manaus, o ciclo da borracha e a preservação do patrimônio histórico da capital.

Plano passa a integrar referências para a próxima gestão

Omar Aziz foi eleito governador do Amazonas no domingo, 25 de outubro de 2026, ao lado da vice-governadora eleita Alessandra Campêlo. O governador eleito retorna ao comando do Executivo estadual depois de ter administrado o estado entre 2010 e 2014.

Alessandra Campêlo será a primeira mulher eleita para o cargo de vice-governadora do Amazonas. A nova gestão deverá assumir em janeiro de 2027, com desafios relacionados à reorganização administrativa, à ampliação dos investimentos, à melhoria dos serviços públicos e ao desenvolvimento dos municípios do interior.

Nesse contexto, o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas passa a integrar o conjunto de referências técnicas disponíveis para a formulação das políticas públicas da próxima administração.

A implementação das propostas dependerá da definição de prioridades, da disponibilidade orçamentária, da capacidade de execução dos órgãos estaduais e da articulação com municípios, União e setor produtivo.

O documento coordenado por Durango Duarte reúne uma base programática construída a partir de estudos e contribuições de diferentes setores. A etapa seguinte será transformar diagnósticos e propostas em ações, com acompanhamento de metas e avaliação dos resultados ao longo da execução.